quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

TU BISHVAT - O HOMEM É UMA ÁRVORE

(imagem extraída da Internet)
O Homem é uma Árvore - Tu Bishvat

A Torá compara uma pessoa a uma árvore. Raízes, galhos, folhas. Qual a conexão? 

"A Torá é árvore da vida para todos que a Ela se apegam."(Mishlei/Provérbios 3:18) 

(Na escola judaica) ... uma vez por ano (se costuma dar) uvas, tâmaras e ainda aquela fruta dura e marrom, parecida com o cacau). E também você recolhia dinheiro para plantar árvores em Israel. Assim era Tu BiShvat! 

É claro que há um significado mais profundo por trás deste dia sagrado, mais além da visão de Judaísmo de um jovem de 13 anos! 

NAS FONTES 

A fonte para Tu BiShvat é frase de abertura do Tratado Talmúdico de Rosh Hashaná: "A Academia de Hillel ensinava que o dia 15 de Shvat é o Ano Novo das Árvores." 

O que isso significa? "Ano Novo para as Árvores"? Será que todos os cedros e pinheiros se reunem, fazem resoluções por um ano melhor, e molham maçãs no mel?! 

É claro que não! Tu BiShvat é técnicamente o dia em que as árvores param de absorver água do solo, e passam a se nutrir de sua própria seiva. Na Lei Judaica, isso significa que uma fruta que tenha florescido antes do dia 15 de Shvat não poderia ter sido usada como oferenda por uma fruta que floresceu após esta data. 

Então, que relevância isto tem para nós no século 21? (Oferendas somente eram feitas no período dos Templos) 

Em vários lugares, a Torá compara uma pessoa a uma árvore: 

- "Uma pessoa é como uma árvore de um campo..." (Deut. 20:19) 

- "Pois os dias de uma árvore deverão ser os dias do meu povo." (Isaías 65:22) 

- "Ele será como uma árvore plantada perto da água..." (Jeremias 17:8)

Por que a comparação? 

Uma árvore precisa de quatro elementos básicos para sobreviver: solo, água, ar e fogo (sol). Seres humanos também precisam dos mesmos quatro elementos. Vamos examiná-los, um de cada vez: 

SOLO 

Uma árvore precisa ser plantada firmemente na terra. O solo não é somente a única fonte pela qual os nutrientes são absorvidos, mas também dá espaço para as raízes crescerem. 

Isso é verdade também para uma pessoa. O Talmud explica: 

"Uma pessoa cuja sabedoria excede suas boas ações é semelhante a uma árvore cujos galhos são numerosos, mas cujas raízes são poucas. O vento vêm e a erradica do solo, virando-a de ponta cabeça. Mas a pessoa cujas boas ações excedem sua sabedoria é semelhante a uma árvore cujos galhos são poucos, mas as raízes são numerosas. Ainda que os piores ventos do mundo viessem contra ela, eles não poderiam movê-la do lugar." (Avot 3:22) 

Uma pessoa pode parecer bem sucedida externamente, "cheia de galhos" e um carro de luxo. "Mas se as raízes são poucas" - se há pouca conexão com sua comunidade e herança cultural - então a vida pode mandar desafios impossíveis de transpassar. "Um vento forte pode virá-la de ponta cabeça." Uma pessoa sozinha é vulnerável a tendências e manias que podem guiá-la para o desespero e destruição. 

Mas se uma pessoa - independente de sua riqueza ou status - é ligada à sua comunidade e à sua herança cultural, então "mesmo que os piores ventos do mundo viessem contra ela, eles não poderiam movê-la do lugar." 

Os seres humanos precisam de uma casa sólida e forte, na qual a moral e os valores são absorvidos, e que ofereça um ambiente de suporte e crescimento. Num mundo repleto de negatividade; precisamos de um "filtro", um porto seguro para retornarmos e nos refrescarmos. Uma comunidade provê um campo impenetrável - o "solo" onde podemos ser nós mesmos, cometer nossos erros, e ainda sermos aceitos, amados e nutridos. 

ÁGUA 

A água da chuva é absorvida pelo solo e - através de uma elaborado sistema de raízes - é carregada pelo tronco, galhos e folhas da árvore. Sem água, a árvore acabará morrendo. 

A Torá é comparada à água, como proclama Mosheh: "Que meus ensinamentos caiam como a chuva" (Devarim 32:2). Ambas, a chuva e a Torá, vêm dos céus e provêm alívio para os sedentos e ressecados. A Torá flui de Elohim e tem sido absorvida pelos judeus em cada geração. A Torá dá gosto e vitalidade para o espírito humano. Uma vida baseada na Torá florescerá com sabedoria e bondade. 

Privada de água, uma pessoa ficará desidratada e, em última instância, desorientada, até o ponto em que não será mais capaz de reconhecer seu próprio pai. Assim também, sem a Torá, uma pessoa ficará desorientada - até o ponto de não reconhecer mais seu Pai no Céu, o Todo-Poderoso Elohim de Israel. 

AR 

Uma árvore necessita de ar para sobreviver. O ar contém oxigênio, que a árvore precisa para respirar, e dióxido de carbono para a fotossíntese. Numa atmosfera desbalanceada, a árvore iria sufocar e morrer. 

A Torá (Bereshit 2:7) nos diz que "Elohim soprou a vida na forma do Homem." A palavra hebraica para "sopro" - nesheema - é a mesma que a palavra para "alma" - neshama. Nossa força de vida espiritual vem, metaforicamente, por meio do ar e da respiração. 

Usamos nossos sentidos de paladar, tato e visão para perceber a matéria física. (Até a audição envolve a percepção de ondas sonoras). Mas o olfato é o mais espiritual dos sentidos, uma vez que a menor matéria física é envolvida. Como o Talmud diz (Brachot 43b): "O cheiro é algo do que a alma se beneficia, mas o corpo não." 

No Templo Sagrado, a oferenda de incenso (sentido de olfato) era exclusiva para o evento único no ano de Iom Kipur, oferecida no Santo dos Santos (Kodesh HaKodashim). O Talmud (Sanhedrin 93a) também diz que quando o Mashiach vier, ele irá "cheirar e julgar" - isto é, ele usará sua sensibilidade espiritual para determinar a verdade nos assuntos mais complexos. 

FOGO 

Uma árvore também precisa de fogo - luz do sol - para sobreviver. A absorção da energia da luz ativa o processo de fotossíntese, uma reação química essencial para o crescimento e saúde da árvore. 

Seres humanos também precisam de fogo - calor - para sobreviver. Este é o calor da amizade e da comunidade. As pessoas absorvem a energia de seus pares, amigos, família, vizinhos e parceiros - e canalizam isso em sua identidade e ações. Todas as observâncias essencias e cerimônias do Judaísmo são baseadas na família e na comunidade - da celebração do nascimento, passando pelo alcance da maturidade, casamento, educação e até mesmo a morte. 

O poder da comunidade é ilustrado na seguinte história do Talmud: 

Um homem idoso estava plantando uma árvore. Um jovem passa e pergunta, "O que você está plantando?" 

"Uma árvore de alfarroba", responde o velho homem. 

"Ora seu tolo," disse o jovem. "Você não sabe que leva 70 anos para uma árvore de alfarrobas dar frutos?" 

"Não há problema," disse o velho homem. "Assim como outros plantaram para mim, eu planto para as futuras gerações." 

TEMPO DE CRESCER 

Este ano, em Tu BiShvat ( ), pergunte-se: 

- Estou tendo a alimentação e abrigo espirituais, ou minha árvore está sendo derrubada pelas forças da sobrecarga de informação e pelo materialismo crescente? 

- Sou parte de uma comunidade ( ) forte, provendo um ambiente caloroso e nutritivo? Ou estou imerso no cálido e pálido anomimato da vida urbana e ciberespaço? 

- Estou olhando pelas futuras gerações, sabendo que estou provendo-as com as fundações próprias para suas vidas?

Autor: Rabbi Shraga Simmons 

fonte: Aish HaTorah


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