sábado, 21 de dezembro de 2013

REFLEXÃO SEDRAH 141 - EM DEVARIM 24 (RELACIONAMENTO INTERPESSOAL)

O dicionário de significados define Relacionamento interpessoal como "um conceito do âmbito da sociologia e psicologia que significa umarelação entre duas ou mais pessoas. Este tipo de relacionamento é marcado pelo contexto onde ele está inserido, podendo ser um contexto familiar,escolar, de trabalho ou de comunidade.
Implica em uma relação social, ou seja, um conjunto de normas comportamentais que orientam as interações entre membros de uma sociedade.
O conteúdo de um relacionamento interpessoal pode ser de vários níveis e envolver diferentes sentimentos como o amor, compaixão, amizade, etc. Um relacionamento deste tipo, também, pode ser marcado por características e situações como competência, transações comerciais, competição, inimizade, etc. Um relacionamento pode ser determinado e alterado de acordo com um conflito interpessoal, que surge de uma divergência entre dois ou mais indivíduos".
Vamos ver o que a Torah tem a nos ensinar a esse respeito ...
por Yossef Michael

A Sedrah desta semana nos fala sobre a forma como devemos nos relacionar com nossos irmãos e nos alerta sobre várias situações em que temos de tomar muito cuidado para não agirmos em flagrante falta de misericórdia e justiça.

Como o hebraico pode nos ajudar a entender melhor esta passagem?

Devarim 24:12-13, “Se for uma pessoa pobre, porém, não irás dormir conservando seu penhor; ao pôr do sol deverás devolver sem falta o penhor, para que ele possa conciliar seu sono sob suas cobertas e com gratidão te abençoe. E, quanto a ti, isso será considerado um ato de justiça por parte do Eterno, o teu Elohim”.

A palavra que aparece aqui traduzida como "pobre", no hebraico, é "aniy". Proveniente da raiz antiga, "anah", aparece também em outros passukim/versículos, senão vejamos:

Shemot/Êxodo 3:7, “E disse o Eterno: Tenho visto atentamente a aflição (aniy) do meu povo, que está no Egito, e tenho ouvido o seu clamor por causa dos seus exatores, porque conheci as suas dores”;

Devarim/Deuteronômio 16:3, “Nela não comerás levedado; sete dias nela comerás pães ázimos, pão de aflição (aniy) (porquanto apressadamente saíste da terra do Egito), para que te lembres do dia da tua saída da terra do Egito, todos os dias da tua vida”;

Nehemiyah/Neemias 9:9, “E viste a aflição (aniy) de nossos pais no Egito, e ouviste o seu clamor junto ao Mar de Juncos”.

Vamos agora a algumas passagens onde temos "anah" para compreendermos a origem da “aflição”:

Shemot/Êxodo 22:22, “A nenhuma viúva nem órfão afligireis (teanun);

Devarim/Deuteronômio 22:24, “Então trareis ambos à porta daquela cidade, e os apedrejareis, até que morram; a moça, porquanto não gritou na cidade, e o homem, porquanto humilhou (inah) a mulher do seu próximo; assim tirarás o mal do meio de ti”;

Devarim/Deuteronômio 22:29, “Então o homem que se deitou com ela dará ao pai da moça cinqüenta siclos de prata; e porquanto a humilhou (inah), lhe será por mulher; não a poderá despedir em todos os seus dias”.

Com base nas passagens acima, podemos depreender que a pobreza apresentada no passuk/versículo que estamos estudando de Devarim/Deuteronômio 24, para nossos pais, está intimamente ligada a um sentimento que lhes era bastante vivo, transmitido de pai para filho, de geração em geração, um sentimento que tinha feito com que nossos pais clamassem com uma sinceridade fora do comum e havia motivado o Eterno a livrar-lhes do jugo em que viviam em Mitsrayim/Egito!!! Este sentimento, pudemos ver que recebe outra tradução nas Escrituras, a “aflição”, a “opressão” que, por sua vez, deriva de uma raiz mais antiga fortemente traduzida como “humilhação”.

Fica bastante claro que, para a mentalidade semita de nossos pais, tais conceitos não podiam estar desassociados... A pobreza, aflição e humilhação eram para nossos pais algo que haviam experimentado em Mitsrayim/Egito... Por isso, vemos a grande preocupação do Eterno para que qualquer pessoa que se encontrasse em uma situação como esta deveria receber especial atenção e cuidados...

Vejamos um pouco mais à frente, o que a Torah nos traz, neste sentido...

Devarim/Deuteronômio 24:17-18, “Não perverterás o direito do estrangeiro e do órfão, nem tomarás como penhor a roupa da viúva. Recorda que foste escravo na terra do Egito, e que YHWH, teu Elohim, daquele povo te resgatou. É por esse motivo que eu te ordeno agir desse modo”.

Em uma época onde a transmissão do conhecimento se dava quase que exclusivamente através de relatos e sentimentos/percepções, fazia-se muito necessário que a linguagem de nossos pais pudesse exprimir de forma muito clara o que uma condição como esta expressava...

Sim, era muito forte na memória daquelas pessoas, o que haviam experimentado em Mitsrayim/Egito!!!

Vejamos agora outra passagem que me chamou a atenção... Que espelha a grande preocupação do Eterno em nos demonstrar que povo é povo, independente de sua condição... Afinal, a condição em que nos encontramos hoje, é totalmente efêmera... Nada significa aos olhos do Criador... Mas apenas aquilo que habita dentro de nossos corações!!!

Zechariyah/Zacarias 9:9, “Alegra-te muito, ó filha de Tsiyon/Sião; exulta, ó filha de Yerushalayim/Jerusalém; eis que o teu rei virá a ti, justo e Salvador, pobre (aniy), e montado sobre um jumento, e sobre um jumentinho, filho de jumenta”.

Impressionante, não?!?!?!


Abrem-se possibilidades para a interpretação desta passagem. Podemos associar "aniy" ao rei, que, naquele momento, isto é, antes da promulgação de seu reinado, encontra-se ainda em uma condição de "pobreza, aflição ou humilhação". Isto nos leva a pensar que, talvez, o Eterno queira nos dizer para tomarmos realmente cuidado com a acepção de pessoas, pois, até mesmo de onde menos imaginamos, Ele pode nos suscitar um salvador ou governante!!!
Shabat Shalom!!!
Chazak, Chazak Venit Chazek!!!
Força, força e que sejamos fortalecidos!!!

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