domingo, 11 de agosto de 2013

REFLEXÃO DA SEDRAH 122 - SH'UEL ALEF/1 SAMUEL 23: DAVID E SHA'UL

por Yossef Michael

Na Sedrah desta semana a passagem escolhida para reflexão foi  Sh’muel Alef/1 Samuel 23 onde, já de início, vemos David HaMelech/Rei David consultando o Eterno sobre sua sorte diante dos philishtyim/filisteus. Interessante que, no hebraico, a palavra referente esse tipo de "consulta" é "vaishe’al" que, segundo a Concordância Strong #07592, pode significar, entre outras coisas, “perguntar, inquirir, pedir emprestado, pedir esmola”. Esta palavra deriva da raiz antiga "sha’al".

Por sua vez, no passuk/verso 4, temos David HaMelech novamente consultando o Eterno, após seus soldados sentirem-se temerosos em dirigirem-se à Keilah. A palavra, derivada da mesma raiz, aqui é "lisheol", isto mesmo, a mesma palavra, muitas vezes considerada especialmente no meio cristão (sheol), como aquela que designa uma espécie de “reino dos mortos”.
No livro “O Novo Testamento e as Profecias do Tanach - Parte I”, às páginas 34 e 35 temos a interessante abordagem do autor, sobre o real significado dessa palavra. Uma vez desmitificada a mesma, podemos observar que tem a conotação de grande desesperança seguida por um livramento por parte do Eterno, em seu sentido mais direto.
A mesma situação acontece no Tehilim 88 (passuk 4), onde associada a palavra naf’shi, dá esta mesma noção de desespero profundo.
Qual era o contexto de Sh’muel Alef 23? David e um pequeno grupo de homens que o seguia estavam foragidos. Ficaram sabendo do ataque dos philishtyim à Keilah, uma cidade pertencente à Yehudah/Judá. A primeira reação de David foi consultar o Eterno sobre o que deveria ser feito: - se enfrentaria ou não os philishtyim. A resposta do Eterno foi positiva, isto é, Ele os daria em suas mãos... O que ocorre então com seus homens? O normal... Eles temeram! Nada mais natural para um grupo de bons homens, porém, que deveriam fazer frente a um exército temível.

Até parece ser uma espécie de “trocadilho”; um “jogo de palavras”, mas, era a reafirmação do que o Eterno prometera a David HaMelech... Tão somente nEle deveria confiar e, assim, sossegar sua alma, "naf’shi"!

Na sequência veremos David novamente consultar o Eterno sobre Sha’ul HaMelech/Rei Saul e se, mesmo tendo salvado Keilah, pelos homens daquela cidade seria entregue, novamente uma resposta afirmativa. David livrou Keilah das mãos dos philishtyim e, mesmo assim, eles o entregariam a Sha’ul. Se pensarmos com bastante cuidado, era muito para qualquer um suportar... Mas, aí temos a diferença entre David e outro homem qualquer! David entregava sua vida a HaShem e assim garantia sua salvaguarda!

Inicia então Sha’ul uma impetuosa perseguição a David que, por livramento do Eterno, seguiu até que os próprios philishtyim fossem os responsáveis por sua cessação. Sha’ul só desistiu de David quando lhe foi anunciado que os philishtyim haviam invadido Eretz Yisra’El! Na sequência teremos Sha’ul voltando a “caçar” David em Ein Gedi, após ter perseguido os philishtyim.

A ligação desta passagem de Sh’muel Alef com a Torah, especialmente, no que se refere às cidades-refúgio, pelo menos para mim, é impressionante... Sabendo da necessidade da vingança pelo sangue, isto é, se um homem era realmente responsável por uma morte de forma premeditada e não acidental, o mesmo deveria pagar também com sua vida, o Eterno, através destas cidades-refúgio, garantia ao homicida (para casos em que não houvesse a certeza de sua culpa) um “tempo” até que se provasse sua inocência ou não. Caso não fosse comprovada sua inocência, seu destino seria o já prescrito pela Torah, isto é, sua morte! É interessante que este tipo de refúgio"hamik’la", aparece única e exclusivamente nestas passagens, bem como na de Yehoshua/Josué 20 e 21, também, presentes no estudo desta Sedrah.

O Eterno se aproveita destas passagens para nos ajudar a compreender melhor a dimensão de sua Misericórdia "Chessed", bem como a simplicidade de Sua Torah! A Justiça que dEle procede e que está expressa em Suas Instruções (Torah) é incomensurável e inquestionável.

E a ligação com David e Sh’muel Alef? O Eterno, Bendito Seja, garantia a David HaMelech esse “refúgio” necessário para que Ele próprio pudesse operar toda sorte de milagres e livramentos quantos fossem possíveis! Seria David merecedor de tudo isto? A exemplo de nós, guardadas todas as proporções - não, ele não merecia... Mas, então o que lhe garantia a condição de receber todos esses livramentos? A Misericórdia de Elohim Avinu... Assim é conosco. O Eterno, Bendito Seja, tem para conosco uma paciência e um amor, inimagináveis.

As situações que nos são impostas e por Ele comandadas servem para nos aproximar de uma compreensão mínima da forma como o mundo funciona. Sem termos uma condição de abstrairmos para podermos compreender Seus desígnios e Sua “permeabilidade” em meio à Criação, conseguimos, minimamente, através de experiências como as vividas por David HaMelech e por nós, todos os dias, sentir que seria impossível tal casualidade, sem que El  (o Poder) nos governasse.

Devido a nossa condição de transgressores involuntários (enquanto HaShem assim o permitir), estaremos vivendo em meio às “cidades-refúgio”, “administrando” assim nossa culpa, sem que o mundo (ou mesmo nossas mais profundas fraquezas) consigam nos levar à “morte”, aqui compreendida como o afastamento das Veredas Antigas, nosso único Caminho ao Criador.

A coisa é tão sutil, mas, tão sutil que chega ao ponto de ser quase intangível... A forma de nos desviarmos definitivamente do Criador é através da idolatria e é justamente isto que o sistema religioso predominante conseguiu... Ao oferecer àqueles que necessitam dessas experiências “sobrenaturais”, uma soma de mentiras e engodos, alicerçados na figura do ídolo impostor e/ou sua “família”, “colidem” frontalmente com os princípios mais básicos da Lei do Eterno e, deliberadamente, o fazem para sua desgraça e infelicidade daqueles que por ele são enganados.

As “cidades-refúgio” tem aplicabilidade apenas para aqueles que são inocentes... Para aqueles que pisoteiam a Lei do Eterno é apenas uma questão de tempo... A consulta e consequente resposta por parte do Criador só surte algum efeito prático, se nos dirigirmos a Ele e não a outros...

Chazak, Chazak Venit Chazek!!!
Força, força e que sejamos fortalecidos!!!

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