segunda-feira, 18 de março de 2013

REZAR EM HEBRAICO OU NA LINGUA NATIVA?

Shalom, chaverim v'chaverot,

O artigo abaixo vem de encontro a algumas perguntas acerca do "por quê rezamos em hebraico"!
Espero que seja útil!
Hebraico ou em português?

Pesquisando sobre alguns assuntos na internet, me deparei com um texto que fala sobre a prece judaica e me lembrei de uma querida, em início de teshuvah. Naquele tempo ela ficou indignada, sobre o por quê de fazemos as tefilot em hebraico, já que estamos num país de língua portuguesa.  Tentei argumentar sobre o fato de termos no Sidur (Livro de Orações) - ao lado da transliteração do hebraico - o texto em português; ainda assim, ela ficou inconformada (rs).
A pergunta é sempre a mesma:- "do que vale recitar longas bênçãos (como por exemplo Shemah)  ou qualquer Tehilim/salmos se não fazemos a mínima ideia do que estamos dizendo?!". 
É certo que as orações precisam ser compreendidas para que tenham significado e acredito que muitos esbarram no hebraico (mesmo com transliterado) devido à diversidade de sons e, principalmente, à ausência das vogais como as conhecemos.  Outra coisa, o alfabeto hebraico é lido da direita para a esquerda, e não se semelha aos idiomas que nos são familiares. Há, também, o hebraico falado pelos ashkenazi (judeus da europa central e oriente) que têm grande influência do ídiche, cujas músicas belíssimas ficam ainda mais difíceis de acompanhar; o hebraico moderno, onde palavras como "shalom" perdem seu significado bíblico e entram no cotidiano como um simples cumprimento - "oi, olá, até mais". 
É certo que o hebraico é a língua escolhida e preferencial do povo judeu/israelita como língua litúrgica e, sem dúvida alguma, rezar em hebraico é como ser remetido ao Templo, há dois mil anos atras. Qualquer tradução das versões originais de orações  ou textos simplesmente não conseguirá ser totalmente fiel, pois uma palavra em hebraico está ligada sempre a uma raiz. 
A questão é: se não compreendermos hebraico, as orações que fazemos diariamente deveriam ser feitas em hebraico? 
Faz sentido o que Maimonides, grande pensador judeu do século 11 escreveu a respeito disso: "rezar sem concentração não é considerado rezar", ou seja, rezar não é apenas verbalizar uma série de  palavras incompreensíveis; no mínimo, temos de ter noção a respeito do que estamos falando; e acrescenta ainda:  "ao dizermos palavras sem compreensão, mesmo que rezemos diariamente não cumprimos a mitzvah porque é impossível fazê-lo sem significado e sem profundidade de coração.
Essa explicação pode ter origem em Devarim (Deuteronômio) 11:13: (יג וְהָיָה, אִם-שָׁמֹעַ תִּשְׁמְעוּ אֶל-מִצְו‍ֹתַי, אֲשֶׁר אָנֹכִי מְצַוֶּה אֶתְכֶם, הַיּוֹם–לְאַהֲבָה אֶת-יְהוָה אֱלֹהֵיכֶם, וּלְעָבְדוֹ בְּכָל-לְבַבְכֶם, וּבְכָל-נַפְשְׁכֶם) - "E há de ser que, se diligentemente obedeceres os mandamentos que hoje te ordeno, de amar a YHWH, e de O servir de todo o teu coração e de toda a tua alma ( ) de O servir de todo o teu coração", que eleva as orações à categoria de Avodah sheba-Lev, ou seja, "serviço do coração"; algo feito com sentimento, afinal,  o mais importante é prestar atenção a toda a reza e ter sentimento.
Algumas correntes do judaísmo aceitam que a Amidah (Shemonê Ezreh), bem como o Shemah (Proclamação) possam ser proclamados em qualquer língua, de modo a serem compreendidos; se o fizermos de forma mecânica, estaremos violando o princípio de que devemos rezar com o coração.
Eu diria o seguinte:- se você não consegue relacionar o hebraico/transliterado com a leitura em sua língua nativa e isso lhe traz desconforto, o melhor é não fazer e, na medida do possível, procurar aprender hebraico, afinal, quando rezamos sozinhos nada nos impede de fazê-lo na língua que conhecemos. 
Todavia - em minha opinião - quando oramos em Comunidade, devemos faze-lo em hebraico; isso é fundamental para podermos participar do Serviço em uma Sinagoga. Por exemplo, quando fomos à Éretz, saber acompanhar as rezas pelo transliterado nos foi essencial para  participarmos do Serviço na Sinagoga.
De qualquer modo, tudo deve ser seguido pelo bom senso, afinal, o mais importante mesmo é servir a HaShem de todo o coração, alma e força.
Shavuah Tóv!

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