terça-feira, 25 de dezembro de 2012

O NATAL E O MITO DE NIMROD, SEMÍRAMIS E TAMUZ (3/3)


O raciocínio de Hislop
Alexander Hislop parte da associação feita pela literatura clementina, e comete o anacronismo de afirmar que, como Nimrod seria Ninus, então Semíramis teria sido sua esposa. A partir daí, Hislop tece uma série de delírios interpretativos, afirmando essencialmente que Nimrod teria sido um deus, e que Semíramis teria sido uma mãe que teria dado a luz ao filho de Nimrod. Partindo da ideia que supostamente Tamuz seria um deus que “reencarna” – e associando o solstício de verão a festa da natividade de Yochanan (João) – Hislop  conclui que o filho de Semíramis seria Tamuz, o qual seria reencarnação de Nimrod, nascido no solstício de inverno. Ao associar Semíramis com praticamente toda divindade feminina que existe no planeta, a conexão entre Semíramis e Inana veio naturalmente para Hislop, que a partir daí obteve a ligação necessária que deriva da mitologia de Inana e Tamuz.
Quem já assistiu o filme “Uma mente brilhante” deve se lembrar da cena qual, em meio ao seu delírio esquizofrênico, o matemático John Forbes Nash monta um gigantesco mural com recortes de revistas e jornais, traçando conexões mirabolantes entre elas para concluir que faz parte de um programa militar e está sendo perseguido. Tal cena não é muito diferente da impressão que se fica ao ler a obra “As duas babilônias” de Hislop. Um leitor com menos conhecimento pode se impressionar com a verborragia, com a quantidade de supostas conexões entre as religiões, e concluir que está de fato diante de uma conspiração arquitetada por Nimrod e Semíramis. Pura especulação e fantasia.
Além dos fatos acima, já demonstrados como infundados, Hislop parte para traçar uma série de paralelos com outras religiões onde existam deuses com características semelhantes. Fato é que  muitas vezes até essa conexão é difícil de ser estabelecida. O politeísmo primitivo é repleto de antropomorfismo. Sendo assim, , figuras de deusas mãe, com seus filhos; deuses se casando; deuses que são parentes entre eles; etc. não faltam na humanidade. Isso não significa necessariamente que todas essas coisas  precisem ser traçadas especulativamente a uma única origem. Ao escrever tal obra especulativa, Hislop muito mais prestou desserviço que um serviço. Porque há quem suponha que, já que o delírio de Hislop, isso signifique que Roma não incorporou elementos pagãos a fé, ou que o Natal não tenha de fato origens pagãs. Isso seria um grave erro.
Resumo dos fatos
Abaixo um resumo dos fatos comparando a realidade histórica com as alegações de Hislop:
Conclusão
Como se pode perceber, a conexão afirmada por muitos entre Nimrod, Semíramis e Tamuz como se fosse verdade absoluta está longe de sê-lo. Pelo contrário, para estabelecer essa conexão Hislop precisou cometer uma série de arbitrariedades que o afastam da verdade histórica sobre os personagens mencionados. Não se combate uma mentira, o Natal, com outra mentira, tecendo conjecturas mirabolantes sobre uma família de semi-deuses na Babilônia antiga.
(Num próximo material, será explorada a verdadeira origem do Natal, bem como sua conexão com o culto à Mitra e as festividades pagãs do solstício de inverno.)
por Sha’ul Bentsion


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