terça-feira, 25 de dezembro de 2012

O NATAL E O MITO DE NIMROD, SEMÍRAMIS E TAMUZ (Parte 1/3)


Introdução - Porque este material é importante.
A primeira pergunta que deve ser respondida é: Por que mais um material sobre o Natal?Afinal, já não existe material abundantemente suficiente abordando essa questão? Na realidade a maior parte do material circulante é simplesmente uma repetição de uma mesma conjectura que será abordada mais adiante: a de que o Natal tenha alguma relação com Nimrod, Smíramis ou Tamuz.
Infelizmente essa é uma idéia equivocada, e que é perpetrada por muitos como se fosse verdade. Trata-se de uma grande mentira. Não fosse trágico, seria irônico que materiais e mensagens elaborados no intuito de combater práticas pagãs sejam mentirosas. Não se combate as trevas com mentiras. Se você, caro leitor, se utiliza de uma mentira para convencer alguém a deixar outra, como poderá querer ser visto pelo Eterno de maneira diferente? Se ambos creem em mentiras a diferença de resultados poderá ser levada em consideração? É por isso que é importante investigar tudo o que lê. Na era da internet, muitos são ingenuamente iludidos pelo volume de informação, e não se ocupam de sua qualidade. Não se verificam as informações, não se checam as afirmações. Afinal se um texto tem cem páginas, como pode estar errado? Ou se tantos propagam uma informação, como pode não ser ela verdadeira?
Ora caro leitor, não foi justamente por questionar tais falácias que fomos capazes de buscar uma prática bíblica? Não voltemos, portanto, a cair nos mesmos erros de outrora. Ou pior: se exortarmos alguém com base em enganos, o que os impedirá de retornarem ao erro ao se descobrirem enganados?
Para não repetir esse erro, o objetivo desse material, muito mais do que convencer, é educar. E desde já encorajo o leitor a não acreditar nas minhas palavras puramente por consideração a mim, ou por me supor verdadeiro no que digo apenas porque apontei o problema supracitado. Isso seria, mais uma vez, cair no mesmo engano. Engano esse que precisamos superar. Sendo assim, encorajo ao leitor a pesquisar as informações aqui contidas – a checar as fontes, e a chegar às suas próprias conclusões. Que as conclusões por mim aqui apresentadas sejam encaradas apenas como um incentivo para você, leitor, possa também extrair as suas próprias conclusões. Dar-me-ei por satisfeito mesmo que o leitor resolva discordar da posição aqui apresentada, contanto que consiga atingir um único objetivo: Ajudar a você, leitor, a entender o que é fato, e o que é conjectura, no que é dito a respeito do Natal.

O imaginário de um pastor protestante
As conjecturas sobre Nimrod, Semíramis e Tamuz têm origem no imaginário de Alexander Hislop, um pastor protestante da igreja Livre da Escócia, que viveu no século19. Como muitos teólogos anteriores e posteriores a ele, Hislop identificou a “Grande Bavel (Babilônia)” da revelação bíblica com a figura da igreja católica apostólica romana. Até ai não há muitas novidades. Tal associação se baseia em uma série de elementos: identificações geográficas em Guilyana (Apocalipse), bem como o enquadramento de práticas da igreja romana com coisas condenáveis pela própria Bíblia, tal como sincretismos, mudanças na Torá (Lei) do Eterno, entre outras.
O objetivo aqui não é entrar nesse mérito, e provavelmente a maioria dos leitores já está familiarizado com tais elementos. A questão é: Onde Hislop inovou, e se destacou dos demais?
Hislop imaginou uma mitologia centrada na figura de Nimrod, que a Bíblia como sendo um descendente de Cush. Ele imaginou que Nimrod teria dado início a um culto babilônico centrado na sua figura, bem como na de sua esposa, que Hislop identifica como Semíramis. Ela, Semíramis teria dado a luz um filho, Tamuz, que teria sido posteriormente considerado a reencarnação de Nimrod, e que teria se tornado amante de sua própria mãe. Deificados por esse culto, tais personagens estariam no cerne da mitologia babilônica que, posteriormente, viria a ser adotada a pelo catolicismo romano.
Hislop primeiro publicou suas teorias em um panfleto denominado “As Duas Babilônias”. Como teorias conspiratórias sempre encontram eco no povo, o panfleto fez bastante sucesso, e acabou por ser expandido e transformado num livro homônimo lançado em 1858. Ao lado, uma imagem da capa da edição de 1916. 


Análise históriaca de Nimrod, Semírames e Tamuz
  • Tamuz
Tamuz é uma deidade babilônica, também chamado de Dumuzi ou Dumuzid, em sumério, que significa “filho verdadeiro” ou “filho fiel”. A Bíblia contém uma referência à sua adoração por parte de mulheres de Yehudá (Judá) em Yechezkel/Ezequiel 8: 14 – “E levou-me à entrada da porta da casa de YaHWeH, que está do lado norte, e eis que estavam ali mulheres assentadas chorando a Tamuz”. Estranhamente até hoje no Judaísmo Rabínico realiza-se o ”jejum de Tamuz”. Biblicamente, o jejum era um ato de contrição. Evidentemente que hoje o “jejum de Tamuz” é atribuído a outras causas, porém sua prática é ainda remanescente do culto ao deus babilônico.
Abaixo, pode-se ver a prática do jejum como parte do culto e do pranto a Tamuz:
“Ó herói, meu senhor, quanto a mim, direi: Comida não comerei, direi, água não beberei, direi, meu bom servo, direi, meu bom marido, direi... Sozinho ele está, ele mesmo, meu senhor, por quem o pranto é erguido”.
Muito provavelmente, Tamuz originalmente era um governante, que posteriormente foi deificado. Ele aparece na lista de governantes babilônios como um rei anti-diluviano:
“Após o reinado ter descido do céu, o reinado esteve em Eridu... Então Eridu caiu, e o reinado foi levado para Bad-tibirá... O divino Dumuzi, o pastor, reinou por 36 mil anos”. (Lista dos Reis Sumérios).
Além disso, Tamuz, é mencionado ta,bem no Épico de Gilgamesh, embora sem nenhuma informação direta de grande relevância, e numa série de hinos e poemas sobre ele e Inana, sua consorte. Na maioria dos poemas, Tamuz é mencionado na forma de lamentos por sua morte. Os textos são extensos demais para serem citados na íntegra. Porém abaixo serão apresentados aqueles que são relevantes para a sua mitologia.
A família de Tamuz
Tamuz é apresentado como tendo vários familiares:
“Ao seu desaparecimento, ele levanta um lamento; “Ó meu filho” ao seu desaparecimento ela levanta um lamento”. (Lamento das flautas para Tamuz)
“Dumuzi falou: Inana, não comece uma contenda. Meu pai, Enki, é tão bom quanto o teu pai, Nana. Minha mãe, Situr, é tão boa quanto sua mãe, Ningal. Minha irmã, Gehstinana, é tão boa quanto a sua”. (O cortejo de Inana e Dumuzi)
“Dumuzi ergueu seus braços ao céu, a Utu, o deus da justiça, e clamou: ‘Ó Utu, tu és o meu cunhado, eu sou marido de tua irmã... Levanta-te, Dumuzi! Marido de Inana, filho de Sirtur, irmão de Gehstinana!”. (O sonho de Dumuzi)
Aqui observa-se a família de Tamuz. Ele é o filho de Enki e Sirtur, irmão de Gehstinana, cunhado de Utu, e consorte de Inana.
Por razões de brevidade, não entraremos no mérito de avaliação da família de Tamuz. Deixa-se a cargo do leitor que se interessar realizar tal pesquisa. Esse texto limitar-se-á a dizar que Enki era o deus da vida, e Situr a deusa das ovelhas, segundo a mitologia suméria. Isto provavelmente explica a ilustração de Tamuz como um deus-pastor. A figura mais importante nesse relato é Inana, cuja etimologia do nome já revela sua principal característica: “Nin”, que em sumério significa ‘senhora’, e “An”, que significa ‘céu’. Ou seja Inana é a Rainha dos Céus. Dada a sua enorme importância tanto na mitologia suméria quanto na mitologia babilônia, onde ficou conhecida pelo nome de Ishtar, certamente essa é a figura que era adorada pelas mulheres de Yehudá (Judá), o que é denunciado por Yrmiyahu/Jeremias 7:18 – “Os filhos apanham a lenha, e os pais acendem o fogo, e as mulheres preparam a massa, para fazerem bolos à rainha dos céus, e oferecem libações a outros deuses, para me provocarem à ira”.
(continua na parte 2)



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