terça-feira, 25 de setembro de 2012

YOM HAKIPURIM (O DIA DE "COBRIR")

O dia de Kipur
(imagem ilustrativa)
Para o povo de Israel,  o dia mais sagrado e solene do ano é o Dia de Kipur; um dia de penitência (arrependimento) por termos transgredido as Instruções de HaShem. 
É um dia de jejum e abstinência com o propósito de afligirmos as nossas almas  e buscarmos o perdão de YHWH por aquilo que cometemos contra Ele.
Em nossa Kehilah, por exemplo, após a leitura do Shemah (Ouve, Israel),  os rolos da Torah são retirados do Aron HaKodesh/Arca Sagrada e colocados diante das pessoas presentes. 
É feita a leitura de várias passagens pertinentes no Tanach e todos os sacrifícios de Yom HaKipurim são representados através de orações, com profundo temor e reverência.
A Kaparah ou “acobertamento” vem da mesma raiz da palavra Kipur, que significa "cobrir". Ao "cobrir nossas iniquidades", ou seja, ao expiar o pecado, Am'Israel realiza a vontade do Santíssimo, obtendo uma imagem limpa perante Ele.
É como se estivéssemos para receber um hóspede especial; um Grande Rei. No entanto, não poderíamos estar "indignos" para recebê-lo. 
Agora, vamos dividir tal evento em três partes: 

  • Primeira parte, o anúncio da chegada do Rei com trombetas (dia de Teruah/Brado). 
  • Segunda parte, quando nos limpamos, perfumamo-nos e vestimos nossa melhor roupa/cobertura (dia de Kipur/Perdão), tornando-nos aceitáveis; e por fim, a 
  • Terceira parte, quando ocorre a chegada do Rei e Sua efetiva  acomodação (dia de Sucot/Cabanas).
Se não soubermos que o Rei está vindo (dia de Teruah), não temos como nos preparar (Kipur) para sua chegada (Sucot). 
Também, se não nos tornamos aceitáveis, não poderemos nos aproximar do Rei e Ele, certamente, nos rejeitará. 
Portanto, chaverim, o dia de Kipur é o dia que nos tornamos "dignos" perante o Altíssimo. É quando, Ele nos "aceita" como Povo Seu, de tal forma, que passa a habitar em nosso meio.
Sobre o pecado
As escrituras dizem que "pecado é a violação da Torah/Lei". Assim, muitas vezes, violamos a Torah/pecamos até involuntariamente. 
(imagem ilustrativa)
Conforme Vaiyrah/Levítico 4:2-3, "Se alguém pecar por ignorância no tocante a qualquer das coisas que o Senhor ordenou que não se fizessem ( ) oferecerá ao Senhor, um novilho sem defeito como oferta de chatat/ pecado".
Desde a destruição do Templo, em Yerushalayim, os sacrifícios cessaram e as nossas tefilot/orações diárias, são o nosso sacrifício a HaShem.
Pense um momento: será que, a exemplo dos nossos antepassados que diariamente levavam seus sacrifícios no Beit HaMikdash/Templo, nós temos apresentado nossos sacrifícios (confissão, pedido de perdão e arrependimento) a cada dia ou temos deixado tudo para o dia de Kipur?  Tal atitude no momento da consciência do pecado, é imprescindível, pois, além de ser mandamento, isso se torna um exercício de meditação (autoanálise). Somente dessa forma podemos ser praticantes da Torah! 
A partir do sacrifício de Chatat, obtemos perdão para os nossos pecados involuntários (Vayicrah/Levíticos 4:35).
O dia de Kipur vai muito além do perdão de pecado individual. Sendo assim, qual seria o objetivo maior do dia de Kipur? Assim, o objetivo maior do dia de Kipur é "cobrir os pecados individuais e purificar todo o povo de Israel".  
Embora a passagem de Vayicrah sugira sucesso quanto à obtenção do perdão, ela não indica que estejamos puros!  Os pecados do nosso povo (todo Israel) nos torna impuros e, assim, temos de realizar expiação, também, pelos pecados de nossos achim/irmãos.  
Cabe a aqui as seguintes questões: Será que o meu irmão me absolveria se conhecesse o meu íntimo? Será que eu levaria o jugo do meu irmão? Sim e sim?  Nisso consiste o povo de Israel! 
Entrando no mérito de pecados voluntários, lembramos que a Torah não indica perdão para esse tipo de pecado; a pena certamente seria a exclusão permanente do Povo de Israel. 
No entanto, em Sua Benignidade, O Eterno providenciou o dia de Kipur como mais uma chance; uma oportunidade de suplicarmos as Suas misericórdias e nos comprometermos de todo coração na busca de não pecarmos voluntariamente e de estarmos, constantemente, nos colocando diante dEle como Povo. 
Através do livre arbítrio, HaShem deu-nos o poder de escolha; a possibilidade de errar e consequentemente  ficarmos afastados dEle. 
Todavia, ofereceu-lhe também a possibilidade de nos arrependermos e retornarmos para Ele (de fazer teshuvah); uma escolha consciente, determinada e diária.
por Yam Lemuel ben Moisheh
“Os favores de YHWH não terminaram; Suas compaixões não se esgotaram; elas se renovam todas as manhãs. Grande é a Sua fidelidade.”  (Lamentações 3.22-23)

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