sábado, 30 de junho de 2012

CICLO TRIENAL LE YELADIM - SEDRAH 66 (O ÓLEO DA UNÇÃO)

Shalom Yeladim,
Na Sedrah anterior aprendemos sobre o Altar do Incenso, que levava até a presença de YHWH os suaves aromas das especiarias. Aprendemos, também, que a adoração e as  tefilot daqueles que têm um coração puro, são como o "incenso" agradável diante do Eterno.
Bom estudo!
O ÓLEO/SHEMEN DA UNÇÃO/MESHACH (Separação)
Shemot/Êxodo 30:23-32
O estudo de hoje começa com YHWH dizendo a Mosheh: "Toma também das principais especiarias (plantas perfumadas), uma porção da mais pura mirra, de canela aromática, de cálamo aromático, de cássia e de azeite de oliveiras. Disto farás um óleo sagrado para as unções (honras), um perfume composto conforme a arte do perfumista; este será o óleo sagrado para as unções. Com ele ungirás a Tenda da Revelação, a Arca do Testemunho, a Mesa com todos os seus Utensílios, o Candelabro (Menorah) com os seus utensílios, o Altar de Incenso (Ketoret), a Altar dos Sacrifícios com todos os seus utensílios, o Altar de Incenso. Assim santificarás tudo, para que sejam santíssimas a mim; e tudo o que as tocar será santo. Também ungirás a Aharon/Arão e seus filhos (Banim), e os santificarás para o serviço a YHWH. E falarás aos filhos de Israel, dizendo:  Este me será o óleo sagrado para as unções por todas as vossas gerações.  Esse óleo especial não é para ungir qualquer homem; e não tentem imitar a sua composição; pois, é sagrado. Aquele que fizer um perfume igual a este, ou que com ele ungir a um estranho, será extirpado do seu povo".
Como temos visto, Yeladim, desde que o Eterno tirou os Israelitas do Egito, Ele se preocupou em explicar a eles cada detalhe sobre Sua vontade e propósitos.
O óleo que foi preparado para a unção de Aharon e seus filhos, também era usado para ungir (separar/honrar) Reis e Profetas na antiguidade.  
Esse óleo aromático se tornava como uma "coroa de honra" para o sumo sacerdote (Levítico 21:12) e deveria produzir um cheiro suave em todo o Tabernáculo.
Também a nossa vida foi "ungida" (separada com honra) por YHWH, para que possamos ser testemunhas dEle e onde quer que estejamos, possamos exalar (emitir) o bom perfume do Mashiach.
Esse perfume representa a nossa vida, Yeladim, que é preciosa para YHWH. Será que a nossa vida tem "exalado" o perfume que agrada ao Eterno? 

ATIVIDADE
(Figura para pintar)
Perguntas:
1  Voce lembra quais são as especiarias que compunham o óleo a unção?
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2  Quem deveria ser ungido com aquele óleo?
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3  O que voce tem feito para "exalar" aroma que agrade ao Eterno?
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sexta-feira, 29 de junho de 2012

CICLO TRIENAL - SEDRAH 66 (Semana de 24 de junho a 30 de junho/2012)

Torah: Shemot/Êxodo  30:17-38   
Tema(s): Mishkan/Tabernáculo: A bacia; O óleo de unção; O incenso
Haftarah: Ezha/Esdras 9, 10; Yehesk'El/Ezequiel 7,  24
Tema(s)Casamento com estrangeiras; O fim por causa do pecado; Cerco a Yerushalayim
Shirim u’Chochmah: Tehilim/Salmos 66; Chochmah Sh'lomo/Sabedoria de Salomão 15
Tema(s):  Gratidão pelos Prodígios; O culto de Yisra'El  X O culto idólatra

PERGUNTAS
 Leia Shemot 30:23-29 e responda: A que podemos comparar o "óleo/shemen" nas Escrituras?
2  Shemot 30:30 fala sobre a "necessidade" da "unção/mashach" dos Sacerdotes/Cochanim. O que essa necessidade significa para nós, hoje?
3   Em Esrah 9:6 o profeta fala sobre "estar confuso e envergonhado". Leia os capítulos 9 e 10 e responda:  Qual é o motivo desse sentimento por parte do profeta?  Que parte lhe cabe nesse sentimento?
4  "Assim vos servirá Ezequiel de sinal" (Yechesk'El 24:24).  Que sinal foi esse e o que viria  representar?
5  "Se eu tivesse guardado iniqüidade no meu coração, o Senhor não me teria ouvido" (Tehilim/Salmos 66:18).  Faça uma breve reflexão a respeito desse passuk/verso e responda:  Em sua opinião, por quê muitas vezes o Eterno "não responde" às nossas tefilot/orações? Exemplifique!

SABEDORIA DE SALOMÃO/Chochmah Sh'lomo
Capítulo (Perek) 15
A fidelidade em face da idolatria

1 Mas tu, ó nosso Elohim, és bom e verdadeiro, és paciente e tudo governas com misericórdia.
2 Mesmo pecando, somos teus, pois acatamos o teu poder; mas não pecaremos, sabendo que somos contados como teus.
3 Conhecer-te é a justiça perfeita, e acatar teu poder é a raiz da imortalidade.
4 Pois não fomos seduzidos pelas invenções da perversa arte humana, nem pelo trabalho estéril dos pintores com suas figuras lambuzadas de diversas cores,
5 cuja vista desperta a paixão dos insensatos e os faz amar a forma inanimada de uma imagem morta.
6 Esses amantes do mal merecem confiar em tais coisas: tanto os que as fabricam, como os que as amam e adoram.
Paródia dos deuses de barro
7 Mas também o oleiro, amassando com esforço a argila, forma toda espécie de utensílios para nossos usos; do mesmo barro molda os que servem para usos nobres e outros, para usos contrários, tudo de maneira semelhante; o próprio oleiro é juiz do uso que deve ter cada um desses utensílios.
8 Depois, com ímpio trabalho, do mesmo barro molda um deus falso, ele, que pouco antes fora feito da terra e dentro em pouco será reduzido a ela, de onde veio, quando se lhe pedir de volta a vida emprestada.
9 Sua preocupação, porém, não é a de que vai sofrer, nem de que sua vida é breve, mas rivaliza com os ourives e os que trabalham a prata e imita os que trabalham o bronze, pondo sua glória em fabricar equívocos.
10 Seu coração é cinza, sua esperança, uma terra vil, e sua vida é mais desprezível que o barro.
11 Pois ignora aquele que o plasmou, que nele inspirou uma alma ativa e nele insuflou o espírito que faz viver.
12 Chega a considerar nossa vida um jogo e nossas atividades como voltadas para o lucro; por isso diz que se deve tirar proveito de tudo, até do mal.
13 Bem sabe que peca, mais do que todos, aquele que, de matéria argilosa, fabrica frágeis vasos e imagens esculpidas.
Idolatria ilimitada dos inimigos
14 São, pois, todos insensatos e infelizes, mais que a alma de uma criança incapaz de falar, esses inimigos do teu povo, que na sua prepotência o oprimem.
15 Pois transformaram em elohim todos os ídolos das nações, os quais nem podem servir-se dos olhos para ver nem das narinas para aspirar o ar, nem dos ouvidos para ouvir, nem dos dedos da mão para apalpar, e até seus pés são preguiçosos para andar.
16 Porquanto foi um ser humano quem os fez, e os modelou aquele que tem o espírito emprestado. Ora, nenhum homem pode modelar um elohim à sua semelhança:
17 porque, sendo mortal, forja com suas mãos iníquas um morto! De fato, ele é melhor do que aqueles aos quais cultua, porquanto pelo menos vive, mesmo sendo mortal, ao passo que aqueles nunca viverão.
18 No entanto, adoram até aos mais vis animais os quais, quanto à bruteza, comparados aos outros, são ainda piores:
19 nada de belo neles se encontra, que se pudesse desejar, como acontece na forma exterior dos animais: de certo modo fugiram ao louvor e à bênção de YHWH!
 
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sábado, 23 de junho de 2012

CICLO TRIENAL LE YELADIM - SEDRAH 65 (O ALTAR DO INCENSO E O INCENSO)

Shalom Yeladim,
Na Semana anterior pudemos aprender como era feita a "Consagração dos Cohanim". Para que estivessem qualificados a representar o povo, os Cohanim tinham de estar purificados de seus próprios pecados, portanto, diariamente, durante 7 dias eles dedicavam a YHWH um novilho sem defeito, que era morto pelos seus pecados. 
No entanto, com a morte do Mashiach Yeshua e a destruíção do Templo, hoje, nossos sacrifícios diários são as nossas orações/tefilot.
Aprendemos também que devemos nos esforçar para obedecermos às Mitzvot/Instruções da Torah, pois, ao desobedecermos deliberadamente, pecamos contra YHWH e, assim como o cordeirinho era sacrificado no lugar do povo, também, Yeshua, por causa de nossos pecados, estaria sendo sacrificado diariamente em nosso lugar. 
Muito triste imaginarmos isso, não é mesmo?
Bom estudo!
O ALTAR DO INCENSO/Mizbeach HaKetoret
Shemot/Êxodo: 30:1-10 
"e Farás também um altar para queimares nele o incenso; de madeira de acácia o farás. Terá um côvado de comprimento, e um de largura (será quadrado), e dois de altura; os chifres formarão uma só peça com ele. De ouro puro o cobrirás, a parte superior, as paredes ao redor e os chifres; e lhe farás uma bordadura de ouro ao redor. Também lhe farás duas argolas de ouro debaixo da bordadura; de ambos os lados as farás; nelas, se meterão os varais para se levar o altar. De madeira de acácia  farás os varais e os cobrirás de ouro. Porás o altar defronte do véu que está diante da arca do Testemunho, diante do propiciatório que está sobre o Testemunho, onde me avistarei contigo. Aharon queimará sobre ele o incenso aromático; cada manhã, quando preparar as lâmpadas, o queimará."(Shemot 30:1-7)
O Lugar Santo era o lugar de comunhão com YHWH. O Mizbeach HaKetoret é a terceira peça do Lugar Santo a ser descrita pela Torah e estava posicionado bem no centro, diante da Arca do Testemunho, assim, a fumaça com o incenso cobriria o Propiciatório, levando o seu perfume até o lugar onde a presença de YHWH se manifestaria. 
O que podemos aprender através dos passukim/versos acima? 
Esses passukim nos ensinam que assim como o Altar do Incenso era o "veículo" que levava o perfume do Incenso queimado até a presença de HaShem, o nosso coração sincero é o veículo que leva nossas orações como "aroma" agradável diante do Eterno. Um coração puro agrada a HaShem, porque deseja sempre estar em Sua presença.

A Bíblia nos diz que David era um homem segundo o coração de YHWH, mas, isso não quer dizer que ele nunca tenha pecado, apenas que apesar de pecar (como muitas vezes nós fazemos), ele se arrependia e de todo o coração orava ao Eterno pedindo que o perdoasse. 
Foi num momento assim que ele escreveu o Tehilim/Salmos 51. No verso 10 ele "Cria em mim, ó YHWH, um coração puro, e renova em mim um espírito inabalável". 
É isso que devemos pedir a YHWH; um coração puro, disposto a ama-lo, serví-lo e obedecê-lo!
Shabat Shalom!
ATIVIDADE:
(para pintar)

Que tal responder às perguntas abaixo?

1.  Para que servia o "Altar do Incenso"?

2.  Quem representa o "Altar de Incenso"?

3.  O que o "Incenso" representa?

4.  Do que HaShem mais se agrada?

5.  Quem era o "homem segundo o coração de YHWH"?

6.  O que pudemos aprender com a Sedrá desta semana?

sexta-feira, 22 de junho de 2012

TESHUVÁ - PASSO (10): INTRODUÇÃO AO SHABAT (Parte 1)

Décimo Passo:  Introdução ao Shabat/Sábado ( Parte 1)
 por Sha'ul Bentision
II - Introdução

"Portanto permanece a observância do Shabat ao povo de Elohim." 
(Ivrim/Hebreus 4:9, do aramaico)
A citação acima, querido leitor, é uma tradução literal do texto original da carta de Ivrim (Hebreus), no aramaico. Infelizmente, a tradução da Almeida transforma o termo Shabat em “repouso”, ao passo que no chamado “Antigo Testamento”, o traduz como sábado. 
Se as Escrituras dizem que a observância do Shabat permanece para o povo de Elohim, por que ela é praticamente ignorada nos dias de hoje? 
Neste passo, veremos como isso aconteceu, porque, e daremos os primeiros elementos que fundamentam a prática bíblica da observância do Shabat.
III - Quem conhece os Dez Mandamentos?
Você já reparou que a maioria das pessoas que dizem crer nas Escrituras teria dificuldade de recitar algo tão simples quanto os Asseret HaDibrot - os chamados Dez Mandamentos? 
Abaixo, querido leitor, coloco para você abaixou os Dez Mandamentos, segundo a Bíblia:
  1. “Eu sou YHWH teu Elohim, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim. 
  2. Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, YHWH teu Elohim, sou Elohim zeloso, que visito a iniquidade  dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam.E faço misericórdia a milhares dos que me amam e aos que guardam os meus mandamentos.
  3. Não usarás o nome de YHWH teu Elohim em falso; porque YHWH não terá por inocente o que tomar o seu nome em falso.
  4. Lembra-te do dia de Shabat, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o Shabat de YHWH teu Elohim; não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro, que está dentro das tuas portas. Porque em seis dias fez YHWH os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou YHWH o dia de Shabat, e o santificou.
  5. Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que YHWH teu Elohim te dá. 
  6. Não matarás. 
  7. Não adulterarás.
  8. Não furtarás. 
  9. Não dirás falso testemunho contra o teu próximo. 
  10. Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo.” (Shemot/Êxodo 20:2-17)
Você já observou quais são os Dez Mandamentos segundo a Igreja Católica? Abaixo, a lista oficial do Vaticano. Em vermelho, coloco o que há de diferente:
  1. “Amar ao Eterno* sobre todas as coisas.
  2. Não tomar seu Santo Nome em vão.
  3. Guardar domingos e festas.
  4. Honrar pai e mãe.
  5. Não matar.
  6. Não pecar contra a castidade.
  7. Não furtar.
  8. Não levantar falso testemunho.
  9. Não desejar a mulher do próximo.
  10. Não cobiçar as coisas alheias.” (Fonte: Catequese da Igreja Católica - * = nome pagão substituído)
Sejamos liberais, e partamos do pressuposto de que os mandamentos católicos 1 e 6 sejam equivalentes aos mandamentos bíblicos 1 e 7, respectivamente. Embora isso seja discutível, foquemos aqui nas diferenças mais explícitas.
A primeira coisa que se percebe é a ausência do segundo e quarto mandamentos bíblicos na listagem católica. Dos Dez Mandamentos bíblicos, a Igreja Católica preserva apenas oito.
E isso não é surpresa, uma vez que os dois mandamentos bíblicos vão contra a prática da Igreja Católica. A proibição contra imagens e cultos a tais imagens seria um embaraço, mesmo com o jogo de palavras que o Catolicismo faz ao afirmar que não adora, mas sim venera imagens. Claro, qualquer pessoa minimamente familiarizada com a prática sabe que as imagens e os santos são objeto de culto e de adoração, contrariando frontalmente o mandamento bíblico.
Para dar conta da ausência desse mandamento, o mandamento de não cobiçar, que na Bíblia é apresentado de forma genérica - sem distinção de objeto - foi desmembrado em dois. Assim, a contagem católica chega a nove mandamentos. 
Resta ainda o último mandamento: o do Shabat. Peço a você, querido leitor, que releia cuidadosamente o quarto mandamento bíblico. Observe como ele se refere à observância de um dia específico que foi santificado pelo Eterno: o dia do Shabat. 
Esse mandamento foi substituído por outro: o da observância do domingo. Mas, por que isso ocorreu?
IV - Do Shabat para o Domingo
Observe o que diz a própria Enciclopédia Católica: 
“O mundo estava plenamente maduro para o monoteísmo ou a sua forma modificada, henoteísmo, mas esse monoteísmo se apresentava em vários disfarces, sob a forma das diversas religiões orientais: na adoração do sol, na veneração de Mitra, no Judaísmo, e no Cristianismo.” (Catholic Encyclopedia, Constantine the Great)
  Relembremos uma citação que foi utilizada no primeiro passo: 
"...os romanos gradualmente receberam todas as religiões dos povos a quem subjugaram, de modo que Roma se tornou o 'templo de todo o mundo.'" 
(Catholic Encyclopedia, Syncretism)
A Igreja Católica é francamente aberta e transparente, e até mesmo se orgulha, do fato de ter sintetizado várias religiões numa espécie de fé ecumênica com roupagem bíblica. 
Mas, o que tem isso a ver com a questão do domingo? Bem, o domingo vem exatamente da veneração ao deus-sol Mitra. Já vimos, no primeiro passo, que é da adoração a Mitra que decorre a prática do Natal. Mas isso não é tudo:
“O domingo era santificado em honra de Mitra, e o décimo-sexto dia de cada mês lhe era sagrado como mediador. O dia 25 de dezembro era observado como seu aniversário, o natils invicti, o renascimento do sol de inverno, invicto pelo rigor da estação.” 
(Catholic Encyclopedia, Mithraism)
É em Roma, e não nas Escrituras, que se encontra a base para a guarda do domingo. Aliás, as Escrituras já falavam sobre tal substituição ao afirmarem: 
“Disse assim: O quarto animal será o quarto reino na terra, o qual será diferente de todos os reinos; e devorará toda a terra, e a pisará aos pés, e a fará em pedaços. E, quanto aos dez chifres, daquele mesmo reino se levantarão dez reis; e depois deles se levantará outro, o qual será diferente dos primeiros, e abaterá a três reis. E proferirá palavras contra o Altíssimo, e destruirá os santos do Altíssimo, e cuidará em mudar os tempos e a Torá; 
e eles serão entregues na sua mão, por um tempo, e tempos, e a metade de um tempo.” (Dani’el 7:23-25)
É praticamente consenso que o quarto reino ao qual Dani’el se refere é o Império Romano. E é exatamente Roma quem, além de perseguir e destruir os santos do Eterno, efetuou mudanças nos tempos do Eterno e na Sua Torá.
Mas nada disso deve impressioná-lo, querido leitor. O que realmente impressiona é que esse mandamento do domingo, um substituto ilegítimo do Shabat do Eterno, permanece nas Escrituras. 
Será que o Shabat que permanece para o povo do Eterno é o domingo santificado ao deus Mitra, ou é o dia que Ele próprio santificou? De onde os que observam o domingo estão extraíndo tal prática? 
“... em nenhum lugar da Bíblia encontramos que Cristo ou os Apóstolos ordenaram que o Shabat fosse mudado do sábado para o domingo. Temos o mandamento do Eterno* dado a Moisés para santificar o dia de Shabat, isto é, o sétimo dia da semana, o sábado. Hoje a maioria dos cristãos guarda o domingo porque foi revelado a nós pela Igreja [Católica] fora da Bíblia.’ (Catholic Virginian, ‘To Tell You the Truth’, pg. 9)
É preciso deixar de lado práticas extra-bíblicas e voltarmos para a pureza do que dizem as Escrituras.
V - Por que o Shabat é importante?
A primeira coisa que você deve estar se perguntando, querido leitor, é porque isso é importante.
Para poder te responder, querido leitor, preciso te convidar a fazer uma viagem no tempo. Voltemos para uma época de muitas alegrias, mas também de muito trabalho. Uma época de despertar para a verdade, não muito diferente da época em que vivemos atualmente. 
Refiro-me à época de Ezra e Nechemiyah, popularmente conhecidos como Esdras e Neemias. Você pode ler a respeito deles nos livros bíblicos de igual nome. Aqui, para o que estamos estudando, é suficiente dizer que eles foram os principais condutores por trás do retorno do povo de Yehudá (Judá) à sua terra, após o cativeiro babilônio.
Nessa época, o povo ainda estava retornando às veredas antigas, mas ainda não havia dado o passo de voltar à observância do Shabat. Talvez isso seja semelhanteo ao seu caso, querido leitor. Observe o que disse Nechemiyah (Neemias):
"Naqueles dias vi em Yehudá os que pisavam lagares ao Shabat e traziam feixes que carregavam sobre os jumentos; como também vinho, uvas e figos, e toda a espécie de cargas, que traziam a Yerushalayim no dia de Shabat; e protestei contra eles no dia em que vendiam mantimentos. Também habitavam em Yerushalayim tírios que traziam peixe e toda a mercadoria, que vendiam no Shabat aos filhos de Yehudá, e em Yerushalayim. E contendi com os nobres de Yehudá, e lhes disse: Que mal é este que fazeis, profanando o dia de Shabat? Porventura não fizeram vossos pais assim, e não trouxe o nosso Elohim todo este mal sobre nós e sobre esta cidade? E vós ainda mais acrescentais o ardor de sua ira sobre Israel, profanando o Shabat." 
(Nehemiyah/Neemias 13:15-18)
Perceba que Nechemiyah (Neemias) atribui à não-observância do Shabat como um dos principais motivos pelos quais o povo perdeu a terra da promessa. Mas, de onde Nechemiyah (Neemias) tirou essa ideia? 
Vejamos o que a Torá diz:
“Não fareis para vós ídolos, nem vos levantareis imagem de escultura, nem estátua, nem poreis pedra figurada na vossa terra, para inclinar-vos a ela; porque Eu sou YHWH vosso Elohim. Guardareis os meus Shabatot, e reverenciareis o meu santuário. Eu sou YHWH. Se andardes nos meus estatutos, e guardardes os meus mandamentos, e os cumprirdes, então eu vos darei as chuvas a seu tempo; e a terra dará a sua colheita, 
e a árvore do campo dará o seu fruto.” 
(Vayicrá/Levítico 26:1-4)
Observe que o reconhecimento do Eterno como nosso Elohim passa exatamente pelos dois mandamentos que Roma aboliu: o de não fazer ídolos, e o de guardar o Shabat. Esses são exatamente duas marcas que distinguiam o povo de Israel dos povos da terra.
Agora, querido leitor, observe a consequência da não-observância, e de onde Nechemiyah (Neemias) tirou a sua crítica ao povo: 
"E espalhar-vos-ei entre as nações, e desembainharei a espada atrás de vós; e a vossa terra será assolada, e as vossas cidades serão desertas. Então a terra folgará nos seus Shabatot, todos os dias da sua assolação, e vós estareis na terra dos vossos inimigos; então a terra descansará, e folgará nos seus Shabatot. Todos os dias da assolação descansará, porque não descansou nos vossos Shabatot, quando habitáveis nela." (Vayicrá/Levítico 26:33-35)
Isso deixa claro que o Shabat é importante. Mas a questão principal é: Por que o Shabat é importante? A resposta se encontra em Shemot (Êxodo) 31:
“Tu, pois, fala aos filhos de Israel, dizendo: Certamente guardareis meus Shabatot; porquanto isso é um sinal entre mim e vós nas vossas gerações; para que saibais que eu sou YHWH, que vos santifica.” 
(Shemot/Êxodo 31:13)
O Shabat é, portanto, um sinal da aliança entre o Eterno e o Seu povo. Mas sinal de quê? A resposta está mais adiante nessa passagem:
“Guardarão, pois, o Shabat os filhos de Israel, celebrando-o nas suas gerações por aliança perpétua. Entre mim e os filhos de Israel será um sinal para sempre; porque em seis dias fez YHWH os céus e a terra, e ao sétimo dia descansou, e restaurou-se.” 
(Shemot/Êxodo 31:16-17)
O sinal portanto é da aliança entre o Eterno e o Seu povo. Se observar o Shabat é sinal de zelo para com a aliança com o Eterno, abandonar o Shabat é sinal de desprezo por essa aliança. 
Não é à toa, querido leitor, que o Shabat é o passo mais importante e por muita gente considerado o mais difícil de ser dado. Porque desde os tempos antigos, observar o Shabat significava ter que abrir mão de um dia produtivo.
VI - Questão de Fé
Lembre do passo anterior, em que falamos sobre fé. Guardar o Shabat é uma demonstração da fé. Assim como não fazia sentido do ponto de vista humano abrir mão de um dia produtivo nos tempos antigos, assim também não faz sentido do ponto de vista humano abrir mão de maior lucro ou de um emprego que pague melhor para poder guardar o Shabat. 
E é justamente porque não faz sentido que isso se torna um passo de fé. É preciso confiar no Eterno.
Muitas pessoas gostam do texto de Devarim (Deuteronômio) 28, porque de fato ele fala de muitas bênçãos (na parte das maldições as pessoas costumam fechar as Bíblias). Mas observe a condição inicial para essas bênçãos:
“E será que, se ouvires a voz de YHWH teu Elohim, tendo cuidado de guardar todos os seus mandamentos que eu hoje te ordeno, YHWH teu Elohim te exaltará sobre todas as nações da terra. E todas estas bênçãos virão sobre ti e te alcançarão, 
quando ouvires a voz de YHWH teu Elohim.” 
(Devarim/Deuteronômio 28:1-2)
Observe que a lógica do Eterno é antagônica à lógica humana. Se você guardar o Shabat, será abençoado inclusive financeiramente. É preciso fé para dar esse passo, mas repare que ele significa confiar uma das coisas mais importantes de sua vida a Ele: o seu próprio sustento!
VII - Shabat e Santidade
Veja ainda, querido leitor, que o texto de Ex. 31:13 fala em santidade. O termo hebraico que encontramos nesse trecho é o termo mekadish’chem, que vem da raíz kadash, que significa separar.
Separar portanto o Shabat como dia de repouso e de comunhão com o Eterno é um lembrete de que devemos nos separar das coisas deste mundo. E é isso que temos feito desde o primeiro passo, querido leitor.
Nosso objetivo aqui é cumprir a ordem do Eterno que nos diz: 
“Portanto, cingindo os lombos do vosso entendimento, sede sóbrios, e esperai inteiramente na graça que se vos ofereceu na revelação de Yeshua HaMashiach; Como filhos obedientes, não vos conformando com os desejos que antes havia em vossa ignorância; Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver. Porquanto está escrito: Sede santos, porque eu sou santo.” (Kefa Alef/1 Pedro 1:13-16)
Observe que para cumprir a ordem do Eterno de sermos santos, precisamos abrir mão do nosso desejo, e fazer aquilo que Ele nos determinou. 
VIII - O Shabat é só para os Judeus?

É comum que muitos pensem que o Shabat se destina somente a judeus. Mais adiante em nossa série, veremos como o Eterno não faz distinção entre o seu povo, e que todos, naturais ou não, pertencem à oliveira, que é Israel.

Porém, como ainda não chegamos nesse ponto, aqui demonstraremos como o Shabat é para todos, indistintamente. 
O primeiro indício disso é o fato do Shabat ter sido instituído na criação. Volte ao texto mais acima, de Ex. 31:13, e você verá, querido leitor, que o sinal dado pelo Eterno remonta à criação, quando não havia Israel, muito menos judeus. Mas vai além disso.
Você já ouviu algum grupo religioso usar o bordão “minha casa será chamada casa de oração para todos os povos?”
Certamente que muitos dos que lêem já ouviram essa expressão. É triste constatar porém, querido leitor, que a maioria ouviu esse bordão totalmente destituído de seu contexto. Observe o que o texto diz:
"Bem-aventurado o homem que fizer isto, e o filho do homem que lançar mão disto; que se guarda de profanar o Shabat, e guarda a sua mão de fazer algum mal… Porque assim diz YHWH a respeito dos eunucos, que guardam os meus Shabatot, e escolhem aquilo em que eu me agrado, e abraçam a minha aliança: Também lhes darei na minha casa e dentro dos meus muros um lugar e um nome, melhor do que o de filhos e filhas; um nome eterno darei a cada um deles, que nunca se apagará. E aos filhos dos estrangeiros, que se unirem a YHWH, para o servirem, e para amarem o nome de YHWH, e para serem seus servos, todos os que guardarem o Shabat, não o profanando, e os que abraçarem a minha aliança, Também os levarei ao meu santo monte, e os alegrarei na minha casa de oração; os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão aceitos no meu altar; porque a minha casa será chamada casa de oração para todos os povos.” 
(Yeshayahu/Isaías 56:2, 4-7)
Seria cômico, se não fosse trágico, que a maioria dos grupos que usa o bordão acima mencionado não cumpre o Shabat, e sendo assim ignora completamente a condição de que o Eterno levará à Sua casa de oração aqueles que cumprem o Shabat!
Observe ainda, querido leitor, que o Eterno fala também aos estrangeiros. E diz que deles tomará aqueles que guardam o Shabat, por amor a Ele, e que assim O servem em Sua aliança.
O Shabat, portanto, é para todos.
(continua...)
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IX - Yeshua contra o Shabat?

para ver estudo completo visite:  www.torahviva.org