segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

TESHUVÁ PASSO (4) - APRENDENDO A LER AS ESCRITURAS (Parte 1)

Quarto Passo:  Aprendendo a ler as Escrituras ( Parte 1)

 por Sha'ul Bentision

II -  Introdução ao Quarto Passo (Síntese)
Assim como um agricultor limpa o terreno antes de semear a nova plantação ou como um construtor limpa a área antes de iniciar a construção, assim também é fundamental que esses primeiros passos sejam de uma verdadeira higienização espiritual, para que se possa construir num terreno limpo.
Agora que você já purificou algumas coisas bastante importantes, vamos começar com um processo que é fundamental: o de desintoxicação do sistema religioso.
Se você chegou até aqui, já deu passos importantíssimos no sentido de deixar um sistema religioso construído por homens para de fato chegar à vontade de Elohim. Porém, é natural que você tenha uma forma de pensar e de agir que, por força hábito, esteja ainda associada a práticas antigas.
O quarto passo é bastante simples, porém, de fundamental importância: Você precisa aprender a ler a Bíblia. O que quero dizer com isso é que a forma de ler as Escrituras está contaminada pelo sistema religioso e que é preciso prestar muita atenção para o que se deve fazer com isso.
A condução que irei fazer abaixo com você, caro leitor, pode parecer bastante lógica e até mesmo de certa forma intuitiva, mas acredite, ela é fruto de muitos anos de depuração exatamente desse mesmo sistema religioso.
Vamos, portanto, à primeira etapa:
III - Justificando Qualquer Coisa na Bíblia
A primeira coisa que o leitor precisa se dar conta é do tamanho da Bíblia. Se fosse diagramada como um livro de romance de tamanho médio, a Bíblia teria mais de 3 mil páginas. Para efeito de comparação, um romance de tamanho médio teria entre 150 e200 páginas. Ou seja, a Bíblia poderia facilmente ser equiparada a uma coleção de uns 20 romances.
É por isso, caro leitor, que existem tantos grupos religiosos que se dizem fundamentados na Bíblia e cada um prega uma coisa. Claro, cada um tomará as partes das Escrituras que lhes convier e ignorará ou minimizará as partes que não lhes forem convenientes.
IV - Criando uma Distorção
Há uma antiga piada que diz que o primeiro teólogo das Escrituras foi Satan, quando afirmou: “E disse-lhe: Se tu és o Filho de Elohim, lança-te daqui abaixo; porque está escrito: Que aos seus anjos dará ordens a teu respeito e tomar-te-ão nas mãos, para que nunca tropeces em alguma pedra”. Matitiyahu/Mateus 4:6.
A graça da piada está justamente na semelhança entre o que Satan fez e o fato descrito acima. Observe que Satan usa o texto de Tehilim/Salmos 91:11 para provar aquilo que ele queria: Que Yeshua deveria se jogar de um lugar alto.
Evidentemente isso é uma distorção do que a passagem quer dizer. Peço agora a você que dê uma pausa neste artigo e leia o Salmo 91 por inteiro para captar a mensagem do salmo.
Com essa leitura, você perceberá que o Salmo 91 é um salmo que fala da segurança que tem aquele que confia no Eterno. Quando se lê o versículo citado por Satan no seu contexto original, a ideia fica muito clara.
Qual era a ideia de Satan? Basicamente era essa: Se Yeshua era o Filho de Elohim, então ele poderia por à prova o versículo de que os anjos iriam impedi-Lo de cair.
Como Satan construiu esse conceito? Ele adotou a seguinte estratégia:
1) Partiu de uma ideia pré-concebida: A de que um servo do Eterno poderia se arriscar e seria protegido mesmo assim. É claro que ele, Satan, sabia que isso não era verdade. Mas seria essa a ideia por ele defendida perante Yeshua?
2)  Encontrou uma frase na Bíblia que poderia dar respaldo a essa ideia;
3)  Isolou a frase do seu contexto;
4) Removeu a ideia da frase dentro daquele contexto e inseriu a sua ideia pré-concebida;
5)  Com isso, conseguiu ‘provar biblicamente’ a sua ideia.
O Eterno poderia ter inspirado os escritores das Boas Novas a apenas narrarem o episódio assim: Yeshua foi tentado por Satan e resistiu à sua tentação.
Vamos, então, juntos, ver como é possível nos defender disso. Para tanto, vamos contar uma história que, apesar de fictícia, poderia muito bem ser verdadeira.
V - Carlos, o ‘Novo Convertido’
Imagine a seguinte cena: Carlos é um novo convertido, que começa a frequentar uma comunidade religiosa que crê na Bíblia. Ele gosta muito das pessoas. Todas são muito simpáticas com ele. Afinal, existe o desejo de que Carlos lá permaneça. Ele assiste aos cultos, recebe as orações e está feliz por ter encontrado o que para ele é uma ‘segunda família’.
Quando começou a assistir aos cultos, Carlos recebeu um pequeno folheto intitulado ‘Nisto Cremos’ e com uma série de afirmações seguidas de várias referências de versículos bíblicos. Carlos ficou feliz, portanto, porque a comunidade que ele estava seguindo verdadeiramente era baseada na Bíblia.
Carlos também frequenta aulas de estudo bíblico para iniciantes. Nessas aulas, sempre existe um tema. Carlos pergunta: ‘O que é necessário para ser salvo’? O professor da aula afirma: ‘Nós cremos que o elemento XYZ é condição de salvação. Vamos ver porque na Bíblia’. Depois disso, o professor cita uma série de versículos que contribuem para pontuar as suas crenças.
Depois de se tornar oficialmente membro daquela denominação, Carlos começa a se deparar com temas mais complexos. Após os cultos, ele sempre procura o pastor e pergunta: ‘Pastor, o que nós cremos a respeito disso’? Ao que o pastor, pacientemente, lhe responde segundo a visão daquela denominação.
Sem estar ciente disso, Carlos já cometeu o maior erro que poderia cometer e se deixou cair numa armadilha que, talvez com a melhor das boas intenções, aquela comunidade religiosa armou para ele.
Como acontece com a maioria dos iniciantes, Carlos não aprendeu a ler a Bíblia e sim a encontrar na Bíblia as justificativas para as crenças daquela denominação.
A maior de todas as tentações que precisa ser resistida quando se lê o texto das Escrituras é justamente a de lê-lo com o objetivo de justificar uma crença. E isso deveria, caro leitor, ser justamente uma das primeiras coisas a serem ensinadas a qualquer pessoa que toma contato com a Bíblia.
VI - A Bíblia é um todo
A primeira forma de evitar isso é entender uma coisa muito simples: A Bíblia é um todo. Esse todo não deve ser lido ou estudado isoladamente.
Sem perceber, a denominação de Carlos repete o mesmo erro de Satan: parte de uma ideia pré-concebida e tenta justificá-la na Bíblia. É claro que, diferentemente de Satan, a denominação em questão não está mal intencionada. Mesmo assim, erra por não ler a Bíblia adequadamente.
Vamos imaginar que o pastor da denominação de Carlos afirmou que os membros nunca devem criticá-lo, porque a Bíblia diz: “Não toqueis os meus ungidos”.
Essa frase aparece em dois lugares na Bíblia: Tehilim/Salmos 105:15 e Divrei Hayamin Alef/1ºCrônicas 16:22. Vamos juntos ler o contexto dessas duas frases?
Aqui por razão de brevidade vamos colocar apenas os versículos imediatamente antes e/ou depois dessa frase, mas convido a você para abrir a Bíblia e ler o texto completo.
E confirmou o mesmo a Ya’akov por estatuto e a Yisra'El por aliança eterna, dizendo: A ti darei a terra de Kena’an, a região da vossa herança. Quando eram poucos homens em número, sim, mui poucos e estrangeiros nela; Quando andavam de nação em nação e de um reino para outro povo; Não permitiu a ninguém que os oprimisse e por amor deles repreendeu a reis, dizendo: Não toqueis os meus ungidos e não maltrateis os meus profetas. Chamou a fome sobre a terra, quebrantou todo o sustento do pão”. Tehilim/Salmos 105:10-16.
O qual também a Ya’akov confirmou por estatuto e a Yisra'El por aliança eterna, dizendo: A ti te darei a terra de Kena’an, quinhão da vossa herança. Quando eram poucos homens em número, sim, mui poucos e estrangeiros nela, quando andavam de nação em nação e de um reino para outro povo, a ninguém permitiu que os oprimisse e por amor deles repreendeu reis, dizendo: Não toqueis os meus ungidos e aos meus profetas não façais mal. Cantai a YHWH em toda a terra; anunciai de dia em dia a Sua salvação. Contai entre as nações a Sua glória, entre todos os povos as Suas maravilhas”. (Divrei HaYamim Alef/1ºCrônicas 16:17-24).
Observe que o contexto para “não toqueis nos meus ungidos” é a proteção que o Eterno dava ao seu povo – proteção física contra inimigos.
O texto não fala de líderes, nem sequer garante imunidade contra críticas a ninguém nem mesmo ao povo de Yisra'El, que por inúmeras vezes foi criticado pelos profetas. Mas Carlos ficou satisfeito com a justificativa do pastor, afinal ele citou a Bíblia! Porque Carlos nunca foi ensinado a pesquisar as Escrituras, a sondá-las como um todo, para encontrar a verdade.
Se Carlos tivesse sido ensinado a ler a Bíblia como um todo, ele poderia se perguntar: O que diz a Bíblia, como um todo, sobre os líderes do povo? Como devem proceder? Que poder ou autoridade eles detêm sobre o povo? O que é a unção bíblica?
Se tivesse feito isso, Carlos teria também percebido que as lideranças apontadas na Bíblia eram meramente cargos funcionais e que tais cargos e ocupações eram válidos enquanto os líderes andassem segundo as Escrituras. Em momento algum a Bíblia da respaldo para uma lealdade individual a um líder. A lealdade é para com o Caminho.
Mas espero que, da mesma forma, caro leitor, você também não acredite em mim, nem me coloque num pedestal imaginário, pois isso seria apenas mudar a pessoa ou o grupo e não romper com o sistema religioso. Peço, portanto, que o leitor procure analisar por si próprio. Pesquise na Bíblia sobre liderança, e tire suas próprias conclusões.

(continua...)
para ver estudo completo visite:  www.torahviva.org

Um comentário:

  1. Sempre pensei assim....texto fora de contexto vira pretexto! O que mais se tem nos dias de hoje é gente usando a bíblia para justificar suas faltas e manter as pessoas cativas de seus ideais que nada tem a ver com o plano de Deus para a Salvação da humanidade! Parabéns, meu caro...

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