sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

TESHUVÁ PASSO (3) - PURIFICANDO A ALIMENTAÇÃO (Parte 1)

Terceiro Passo:  Purificando a Alimentação ( Parte 1)

por Sha'ul Bentison

II - Introdução ao Terceiro Passo

            Caro leitor, se você chegou até aqui, já deve ter percebido que essa é uma jornada diferente, capaz de transformar radicalmente a sua vida. Fique firme! O Messias não veio simplesmente para que a sua vida continuasse a mesma e a ela fosse apenas agregado o hábito de passar duas horas por semana numa comunidade religiosa. A jornada bíblica é uma jornada que passa por muitas purificações e transformações.

            Você já deve ter percebido, porém, que ao dar esses passos, sua vida se aproxima de uma maior intimidade com o Criador. E o objetivo é exatamente esse. A teshuvah vem te trazer duas coisas: Uma melhor qualidade de vida e uma maior proximidade com Yeshua.

            Mas quando falamos de melhor qualidade de vida, estamos nos referindo à vida física ou espiritual? Na realidade, a ideia de que exista uma diferença entre corpo e espírito e, portanto, entre vida física e vida espiritual, vem da filosofia grega. No pensamento semita e, portanto, na Bíblia, não havia essa distinção.

III - A Bíblia se Preocupa com nossos Corpos

            E a Bíblia deixa claro que o Eterno se preocupa com o que fazemos com nossos corpos. Por exemplo, Sha’ul/Paulo afirma: 
“Ou não sabeis que o vosso corpo é o santuário da Ruach HaKodesh, que habita em vós, proveniente de Elohim e que não sois de vós mesmos”? 
(Curintayah Alef/1ªCoríntios 6:19)
            Não é à toa que encontramos na Bíblia até mesmo conselhos para a saúde, como por exemplo:
“Não bebas mais água só, mas usa de um pouco de vinho, 
por causa do teu estômago e das tuas frequentes enfermidades”.
 (Timoteus Alef/1ªTimóteo 5:23)
“Achaste mel? come só o que te basta; 
para que porventura não te fartes dele e o venhas a vomitar”. 
(Mishlei/Provérbios 25:16)
Esse passo de nossa jornada de teshuvah passará por algo que trará não apenas o benefício de nos alinhar mais com a vontade de Elohim, mas também será algo que nos trará mais saúde e qualidade de vida.
IV - Um Best Seller de Dietas
Um dos livros de dieta mais vendidos nos EUA é uma obra chamada ‘The Maker’s Diet’. Nela, o autor propõe que a alimentação seja regulada por princípios bíblicos. Esse livro foi aclamado por ser um dos melhores livros de dieta até hoje escritos.
Evidentemente que nesse livro o autor vai muito além das instruções bíblicas e procura também imitar aspectos da alimentação dos israelitas. Porém, o principal benefício da obra é exatamente esse: Ao seguir as recomendações de alimentação do Criador, as pessoas melhoram sua saúde!
Você já se perguntou se é coincidência que muitos médicos, após uma cirurgia, proíbam seus pacientes de consumir carne de porco, exatamente como o faz a Bíblia?
A Bíblia, caro leitor, é o manual do nosso Criador para uma vida regrada, plena e abundante com Ele, com nossos próximos e mesmo conosco. Toda a fonte dos problemas da humanidade passa pelo fato de que esses preceitos são ignorados e até mesmo rejeitados por muitos.
E uma das coisas que são exatamente taxadas como ‘bobagem’ são as leis alimentícias dadas pelo Eterno nas Escrituras. Mas aí eu pergunto a você, caro leitor: Será que o Criador teria se dado ao trabalho de inspirar uma ‘bobagem’? Acaso Ele perderia tempo escrevendo algo que depois Ele próprio iria dizer ser besteira? Acaso Ele deseja que nós ignoremos Aquilo que Ele nos ensina?
V - O Novo Testamento Aboliu as Leis Alimentícias
Muita gente aponta para textos da B’rit Chadashah, o chamado ‘Novo Testamento’, de maneira descontextualizada, para justificar o fato de que o Eterno teria mudado de ideia quanto à alimentação.
É claro que este estudo não se propõe a abordar detalhadamente todas essas passagens, por uma questão de brevidade – embora tenhamos estudos mais aprofundados sobre cada uma delas.
Mas vamos, caro leitor, fazer juntos um breve exercício de pesquisa do contexto para verificar se tem procedência a alegação de que o Eterno mudou de ideia quanto às leis alimentícias:
1) Teria Yeshua purificado os alimentos?
Uma das afirmações mais taxativas de que Yeshua teria purificado aquilo que Ele mesmo havia declarado impuro procede da leitura equivocada de Marcos 7. Observe porém o início desse capítulo, caro leitor, que revela o contexto: “E, vendo que alguns dos seus discípulos comiam pão com as mãos impuras, isto é, por lavar, os repreendiam. Porque os p’rushim e todos os judeus, conservando a tradição dos antigos, não comem sem lavar as mãos muitas vezes”. Marcos 7:2-3.
Observe que não estava em discussão a questão de quais alimentos são lícitos ou não para serem consumidos e sim uma tradição extra bíblica de que é preciso lavar as mãos para não se contaminar comendo os alimentos.
Alguns dizem ainda que Yeshua deixou claro que o que contamina o homem é o que sai dele e não o que entra nele. É verdade: O que nos contamina quando comemos animais imundos é a desobediência que procede do nosso coração, muito mais do que o ato da ingestão propriamente dito.
2) A visão de Kefah/Pedro
Outro texto tirado de seu contexto é o de Ma’assei HaSch’lihim/Atos dos Emissários 10, onde Kefah/Pedro tem uma visão segundo a qual animais imundos são apresentados e ele ouve uma voz que diz que ele deveria levantar, matar e comer. Ao dizer que não faria isso, Kefah/Pedro ouve a seguinte explicação: “O que Elohim purificou não chames tu de impuro”.  Ma’assei HaSch’lihim/Atos dos Emissários 10:15.
Observe que Kefah/Pedro não saiu, após a visão e foi comer churrasco de bacon. Ele próprio dá a interpretação à visão: “Vós sabeis que é proibido a um judeu aproximar-se dum estrangeiro ou ir à sua casa. Todavia, Elohim me mostrou que nenhum homem deve ser considerado profano ou impuro”.  Ma’assei HaSch’lihim/Atos dos Emissários 10:28.
Havia, novamente, um costume extra bíblico entre os judeus da época de não se aproximarem de estrangeiros. A visão serviu para mostrar a Kefah/Pedro que ele não deveria proceder dessa maneira.
3) Entendendo Sha’ul/Paulo
Sha’ul/Paulo também pode ser facilmente compreendido quanto ao que ele se refere se houver boa vontade.            
Nós já vimos pelas histórias de Yeshua e de Kefah/Pedro que algumas facções dos judeus da época tinham muitos hábitos extra bíblicos. Na história de Yeshua, observa-se que esses hábitos também afetavam a alimentação.
Observe alguns desses acréscimos no Talmud, a mais importante obra do Judaísmo Farisaico: ‘Também foi ensinado semelhantemente: Sobre aquele que come carne e bebe vinho no Nono de Av, a Escritura diz: E suas iniquidades estão sobre seus ossos’.  b. Ta'anit 30b.
Comentário: A Bíblia jamais exige que se abstenha de alimento nesse dia e o texto a que o Talmud se refere é Yehesk'El/Ezequiel 32:27, que o leitor pode conferir que não tem nada a ver com a questão.
‘Os rabinos disseram a R. Assi: Este homem é um israelita não-observante que foi visto comendo carne não-judaica’. b. Guitin 47ª.
Comentário: A Bíblia jamais exige que, como demanda o costume judaico, que a carne seja preparada por um judeu para que seja considerada pura.
‘…a carne de ave [cozida] no leite é proibida pela lei da Torah’! b. Chulin 113ª.
Comentário: A Bíblia proíbe cozinhar um filhote de animal no leite de sua própria mãe, prática essa que era comum nos ritos de fertilidade cananeu. A Bíblia jamais proíbe que se coma aves cozidas no leite.
Além disso, havia algumas seitas – especialmente as de influência gnóstica – que defendiam o vegetarianismo como uma obrigação de todo aquele que desejasse seguir a Yeshua. Epifânio, por exemplo, em sua obra ‘Panarion’, cita o evangelho de um desses grupos, os ebionitas, da seguinte forma: ‘Acaso tenho desejo neste Pessach de comer carne convosco’? Panarion 30:22:4.
Observe, caro leitor, que nos tempos de Sha’ul/Paulo e dos primeiros seguidores de Yeshua, havia muitos grupos com muitos ensinamentos sobre alimentação completamente extra bíblicos!
Tenha isso em mente ao observar as passagens abaixo:
4) Romanos 14 contra as leis alimentícias?
Alguns afirmam com base em Ruhomayah/Romanos 14 que qualquer pessoa pode comer o que desejar, inclusive aquilo que a Bíblia proíbe.
Porém, se formos olhar para o contexto mais uma vez, encontramos o seguinte logo no princípio do capítulo: 
“Porque um crê que de tudo se pode comer e outro, que é fraco, come legumes”.
 (Ruhomayah/Romanos 14:2)
Lembre-se agora que pessoas que tenham tido contato com grupos como o dos ebionitas entendiam que Yeshua havia sido vegetariano e entendiam que eram obrigados a comer apenas vegetais. Sha’ul/Paulo os chama de fracos, mas pede para que eles não sejam julgados por coisas de menor importância, para que não viessem a se afastar das Boas Novas.
Mais uma vez, observa-se pelo contexto, que não havia nenhuma menção às leis alimentícias das Escrituras. Sha’ul/Paulo jamais mudaria aquilo que o Eterno já havia estabelecido.
5) Comendo de tudo do Açougue
Alguns afirmam com base em Curintayah Alef/1ªCoríntios 10 que se pode comer de tudo que se vende nos açougues de hoje em dia, sem nada perguntar. E se o açougue vende carne de animais biblicamente imundos, então, dizem esses, podemos ignorar a proibição bíblica e comer animais imundos.
Mais uma vez, o contexto mostra com o que não devemos nos preocupar: 
“Mas, se alguém vos disser: Isto foi sacrificado aos ídolos, não comais, 
por causa daquele que vos advertiu e por causa da consciência”. 
(Curintayah Alef/1ª Coríntios 10:28)
Lembra, caro leitor, da proibição da tradição judaica de comer carne que não fosse preparada por judeus? Justamente uma das preocupações é que os outros povos pudessem ter sacrificado os animais para seus deuses. Porém, Sha’ul/Paulo afirma que os deuses não têm poder algum e que só não devemos fazer isso por causa da consciência. Ou seja, não havia com o que se preocupar caso não se soubesse a origem da carne.
Como não existe nenhuma menção às leis alimentícias da Bíblia, não se pode imaginar aqui uma abolição delas.
6) Colossenses e o ‘Não Julgueis’
Alguns afirmam que em Colossayah/Colossenses 2:16-17 seria base para afirmar que não se deve julgar quem come animais imundos, logo isso significa que é permitido comer de tudo.
Porém, lembre o caro leitor, que as seitas da época tinham muito mais preceitos alimentares do que simplesmente as leis alimentícias bíblicas.
A Bíblia foi escrita com um objetivo principal: Apontar para o Messias prometido. Quando se toma por princípio criar todo um aparato de leis paralelas para ‘proteger’ as leis bíblicas, como faziam por exemplo algumas seitas judaicas, se está perdendo o foco no Messias e focando em tradições e preceitos humanos.
Para não deixar dúvida de que não está se referindo a preceitos bíblicos e sim acréscimos humanos, Sha’ul/Paulo afirma: “As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens”. Colossayah /Colossenses 2:20-22.
Certamente que Sha’ul/Paulo não consideraria como ‘doutrina de homem’ aquilo que o Eterno revelou, uma vez que, se afirmasse isso, Sha’ul/Paulo estaria desmerecendo a própria Bíblia! 
(continua...)
para ver estudo completo visite:  www.torahviva.org



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