sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

TESHUVÁ PASSO (2) - SAIBA A QUEM VOCÊ SERVE (Parte 1)

Segundo Passo: Saiba a Quem Você Serve (Parte 1)
Por Shau'ul Bentsion
II - Introdução ao Segundo Passo
        Permita- me cumprimentar a você por dar mais um passo em sua caminhada, meu caro amigo leitor. Se você chegou até aqui, já reparou que a caminhada com Yeshua tem um preço, mas que Seu jugo é leve e suave. Você certamente já se sente mais livre para servi-lo, tendo deixado para trás coisas que não O agradavam.
        Este segundo passo também é composto de um ato de purificação, mas diferentemente do primeiro, ele também vem acompanhado de um adquirir maior intimidade com o Criador. Vamos a ele.
       Você consegue se imaginar chamando o Eterno de "Ogum" e iniciando uma oração dizendo "Meu querido Ogum..."? Provavelmente a mera sugestão causaria repulsa. Você oraria dizendo "Meu querido Zeus..."?
       No entanto, é isso que muitos, inocentemente, fazem diariamente! Você sabe de onde vem o termo "Deus", que é usado para se referir ao Criador? 
III - A Origem do Termo "Deus"

       O termo ''Deus" é exatamente a forma latina do deus grego Zeus. No grego antigo, o termo Zeus era pronunciado "dzeús", o que foi entendido pelos romanos como "Deus". Observe a definição do dicionário abaixo:
       " Zeus, poeticamente referido pelo vocativo Zeu pater "O, pai Zeus" é uma continuação de Dieus, o Proto-Indo-Europeu deus do céu diurno, também chamado de "dyeus phater/pai do céu". (American Heritage Dictionary, Zeus)
       Talvez essa revelação seja um choque para você. Mas o uso do termo "Deus", chefe do panteão greco-romano, só começa a ocorrer de forma mais corrente a partir do terceiro século, numa época em que já havia bastante sincretismo entre a fé biblica e as vertentes do paganismo.
       Era mais fácil para os pagãos, conceber um Ser Supremo como sendo o próprio "Deus", chefe do panteão que eles já conheciam, do que explicar que "Deus" (Zeus-Olimpo) é uma falsa divindade, que deveria ser desprezada em favor de um Ser Supremo revelado a outra nação.
       Os escritos associando o Elohim dos israelitas ao "Deus" greco-romano começam a se popularizar à medida que os escritos em latim se tornaram mais frequentes e foram cristalizados com os escritos de Tertuliano e a posterior composição da Vulgata Latina, que oficializaram o uso do termo "Deus" para se referir ao Elohim dos israelitas. É da Vulgata Latina e da tradição católica que surge o termo em português. 
IV - Por quê isso Importa?

      Certamente essa é uma pergunta que você pode estar se fazendo. Afinal, o Eterno sabe quando estamos nos dirigindo a Ele, independentemente do nome invocado.
       Porém, existe uma diferença entre saber e até mesmo tolerar, por causa da ignorância, e se agradar disso. Ao longo da Bíblia, o Eterno tolerou muita coisa do Seu povo, o que não quer dizer que Ele disso se agrada.
       E é na própria Bíblia que encontramos o Eterno expressando seu descontentamento com Israel por chamá-lo pelo nome de deuses pagãos:
      “E naquele dia, diz YHWH, tu me chamarás: meu marido [ishi]; e não mais me chamarás: Meu Ba’al [ba’ali]. E da sua boca tirarei os nomes dos Ba’alim, e não mais se lembrará desses nomes.’’ ( Hoshea/Oséias 2:16-17)
      Os ‘ba’alim’ eram exatamente os termos usados para deuses cananeus, que eram conhecidos como sendo os senhores – tradução literal de ‘ba’alim/das regiões cananéias'. Por exemplo, Ba’al-Tsefon e Ba’al-Peor (Shemot/Êxodo 14:2,  Vaycrah/Números 25:3,etc) eram literalmente os senhores de Tsefon e Peor.
      É inegável que o Eterno se desagradaria de ser chamado pelo nome de falsos deuses, cuja idolatria está associada ao culto a demônios. Você não o chamaria de Buda, nem de Ogum, porque certamente o desagradaria. Assim sendo, Ele não pode se agradar de ser chamado de “Deus”, uma falsa divindade greco-romana (encontrada na mitologia).
      No passo anterior, falamos sobre o exemplo da moça que se preparava para embarcar num relacionamento com seu futuro marido. Dentro dessa mesma analogia, se agradaria esse marido ser chamado pelo nome de um ex-namorado? 
V - O Nome do Criador

      Mas por qual nome deveremos chamar o Eterno?
     “Então disse Moshe a Elohim: Eis que quando eu for aos filhos de Israel, e lhes disser: O Elohim de vossos pais me enviou a vós; e eles me disserem: Qual é o seu nome? Que lhes direi? ’’ (Shemot/Êxodo 3:13)
      Moshe (Moisés) queria saber o Nome daquele a quem o havia ensinado. Quem é o Elohim de Israel? Qual é o seu nome?
      Os povos que vivem na idolatria sabem a quem adoram. Eles adoram “Deus”, a “Ogum”, a “Alá”, e nós? A quem nós adoramos? Qual é o nome do verdadeiro e único Criador?
     O Criador, único e verdadeiro, responde a Moshe (Moisés) da seguinte forma:
     “E disse Elohim a Moshe: EU SOU O QUE SOU [hebraico: Ehyeh asher Ehyeh]. Disse mais: "Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU [Ehyeh] me enviou a vós”. (Shemot/Êxodo 3:14)
     Preste atenção nessas palavras. O Eterno diz que Seu nome é “Eu sou”. Ou como pode ser também traduzida a expressão: Eu existo.
     Ele não poderia ter outro nome. Ele é O próprio verbo ser está sujeito a Ele, porque nada pode ser, sem Ele autorizar. Em outras palavras: nada pode existir, se não for por meio dEle. Ele é o Criador!
     Na Bíblia, o termo que é usado para se referir ao Criador é conhecido como o tetragrama – isto é, literalmente – as quatro letras. Porque Seu Nome ao longo do texto bíblico é escrito como quatro letras hebraicas: "Yud, Hey, Vav, Hey".

      Em sua forma original no hebraico antigo esse Nome é escrito da seguinte forma: 
     Essa forma é bastante simples de entender. A raíz hebraica "Hey Vav Hey" significa leiteralmente “ser” ou “existir”. Quando conjugada na terceira pessoa do masculino ela recebe um Yud na frente. Portanto, "Yud- Hey- Vav- Hey" significa literalmente “Aquele que é”, ou “Ele é”.
     O nome do Eterno revela algo muito importante sobre o nosso relacionamento com Ele: Tudo aquilo que nós não somos, Ele é. Ele é o único capaz de nos suprir em todas as nossas necessidades. E tudo aquilo que somos, devemos a Ele, e devemos ser para Ele.
     E como se pronuncia seu nome?
     No hebraico antigo, as vogais não eram escritas nas palavras, apenas as consoantes. Isso porque as vogais variavam muito de acordo com a conjugação. Por isso, não se preservaram as vogais do Nome.
     Muitos grupos religiosos tecem teorias das mais mirabolantes possíveis para afirmarem qual é o Nome do Eterno, cada um com suas explicações. Porém, o fato é que o meio acadêmico é praticamente unânime em apontar que o Nome se pronuncia, de forma foneticamente aportuguesada, como “Iarrué”, sendo o som de “rr” bem suave, como seria o som do “h” no inglês.
     Como a transposição fonética do hebraico para outros idiomas, que chamamos de “transliteração”, não tem regra fixa, pode-se encontrar o tetragrama transliterado como “Yahweh”, Yahuweh”, entre outras formas. O som, todavia, é o mesmo.
      Essa é a única forma testemunhada historicamente de forma completa. Clemente, no século II, o translitera como “iaoue” para o grego, e Teodoreto , no século IV, testifica que os samaritanos pronunciavam o Tetragrama como “Iabe”, sendo o som de "b" uma variação regional do som do "Vav".
      Por esta razão, há praticamente um consenso no meio acadêmico de que esta seja a forma mais original, possivelmente com algumas diferenças derivadas de regionalismos, como ocorre por exemplo no português. O nome “Roberto”, por exemplo, será pronunciado de forma diferente por um gaúcho, por um carioca, um paulista, e um cearense. Mas aí, caro leitor, entramos em pormenores que penso serem completamente sem importância. 
VI - O Uso Cotidiano
      Você deve estar se perguntando agora: Devo usar esse nome no meu dia-a-dia?
      Alguns grupos, por excesso de zelo, evitam falar o Nome do Eterno, mas será que é isso que Ele quer de nós? Faz sentido, meu caro leitor, que o Eterno revelasse em Suas Escrituras um Nome que Ele não quisesse que usássemos? Pelo contrário, as Escrituras falam que Seu Nome será proclamado na terra.
      O erro desse zelo está na leitura do mandantamento, que diz:
“Não tomarás o Nome de YHWH teu Elohim em vão...” (Shemot/Êxodo 20:7)
      Em vão, no hebraico, “lashav”, significa algo que é falso, esvaziado da verdade. Ou seja, não se deve dizer falsidades no Nome do Eterno.
      Como você certamente deve estar pensando neste momento, é claro que se deve ter respeito pelo Nome do Eterno, como você teria por alguém a quem deve honra. Certamente que práticas como chamar uma borracharia ou padaria pelo Nome dEle é falta de respeito.
       Mas e quanto a usar o Seu Nome no nosso dia-a-dia? Equanto a orar, ou a conversarmos entre nós usando o Seu Nome? Isso é possível ?
        A resposta está na Bíblia:
 “E eis que Boaz veio de Beit-Lechem, e disse aos segadores: YHWH seja convosco. E disseram-lhe eles: YHWH te abençoe”. (Rut/Rute 2:4)
      Observe que Boaz, nessa passagem, chega ao seu campo onde estavam os seus empregados colhendo os frutos da terra, e os cumprimenta usando o Nome do Eterno, ao que os seus empregados lhe respondem da mesma forma.
        Nos tempos antigos, os israelitas não tinham qualquer restrição a usarem o Nome do Eterno no seu dia-a-dia, e assim também nós não devemos ter essa restrição. Não devemos deixar que um excesso de zelo nos afaste de proclamarmos a Quem nós servimos. Você pode, querido leitor, e deve usar o Nome do Eterno em seu dia-adia. Com respeito, é claro, mas sem temor! Porque Ele revelou esse nome a nós. É assim que Ele deseja ser chamado. Esse é o nome do seu Senhor!
(continua ...)
para ver estudo completo visite: www.torahviva.org

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