segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

CHANUKÁ "DEDICAÇÃO / INAUGURAÇÃO" OU "A FESTA DAS LUZES"?


“Chanukah” é conhecida tradicionalmente como "Festa das Luzes", mas, literalmente, significa “Dedicação ou Inauguração”. 
Os oito dias de Festa que os israelitas celebram até os dias de hoje lembram a vitória dos Makabim / Macabeus e a reinauguração do Beit HaMikash / Templo de Yerushalayim / Jerusalém que havia sido profanado pelos invasores.
Na Festa de Chanukah há o costume de se ingerir comidas fritas em óleo como bolinhos de batata (levivot ou latkes) e sonhos (sufganiyot). Pratos à base de laticínios, como bolinhos de queijo, são também muito apreciados.
Mas, antes de passarmos às receitas propriamente ditas, vamos conhecer um pouquinho da história dessa Festa/Chag que faz parte da tradição israelita bíblica, está registrada no sefer/livro dos Macabim/Macabeus (1 e 2).
“Durante os anos de domínio grego, o estudo da Torah foi proibido, para que, esquecendo-se da Torah, os israelitas abandonassem suas tradições e aceitassem o domínio helênico a nível político, cultural e religioso.
Israel encontrava-se sitiada pelo cruel e opressivo exército Greco-Sírio. Yehudit/Judite ajudou a assegurar a vitória das forças judaicas, matando o terrível general do exército grego, Holofernes. Deu a ele queijo salgado para comer, acompanhado de vinho forte para eliminar sua sede. O vinho o 'derrubou' fazendo-o cair em sono profundo. Yehudit então tomou de sua espada e o matou. Os soldados do general fugiram com medo.
A vitória dos Macabeus seguiu-se a este ato de coragem. Após uma guerra em que um pequeno exército de yehudim/judeus comandado pelos Makabim/Macabeus venceu o poderoso exército grego, o governo judaico foi restabelecido na Terra de Israel." 


TRADIÇÃO 

Existe em Chanukah o costume de se presentear com dinheiro (mitzvah de tsedakah/mandamento de ajuda aos necessitados) e jogar “sevivon” com as crianças, para relembrar o estudo da Torah às escondidas. 


Origem do "Sevivon ou Dreidel"

Antiocus decretou que todo estudo da Torah era crime punível com morte ou prisão. As crianças estudavam em segredo e, quando as patrulhas sírias eram avistadas, fingiam estar brincando de um inocente jogo de pião, também conhecido como dreidel (em idish) ou sevivon (em hebraico).

QUE LIÇÕES EXTRAIR DE CHANUKAH?
“O verdadeiro objetivo dos gregos não era a destruição do óleo da Menorah, mas sim fazer com que a mesma fosse reacesa com óleo profanado. O propósito por trás disto era, ao invés da supressão da Torah, sua profanação; queriam que ela fosse considerada uma obra humana.
Chanukah nos lembra que o maior perigo em se buscar uma vida pautada nas Escrturas não é a ameaça de sua supressão ou extinção completa, mas antes, a tendência de profaná-la alimentando sua Menorah com óleo impuro.
Essa tendência pode expressar-se de várias maneiras: no materialismo; em seguir ideologias humanas e "ismos"; no desejo de agradar homens; em buscar respostas na ciência; na tendência a julgar e medir tudo segundo os padrões do raciocínio humano; etc. Ela não exclui necessariamente a "experiência religiosa", mas ou a confina a uma área restrita, ou pior ainda, produz uma pseudo-religiosidade onde a consagração e a devoção são sacrificadas de acordo com conveniências e compromissos pessoais.”
Chanukah nos ensina que a santidade e a pureza da vida espiritualdeve ser conservada a qualquer custo. Os aspectos externos e materiais de nossa vida diária não somente devem ser preservados de serem contaminados em sua pureza e santidade, mas ao contrário, Torah e mitzvot devem levar santidade a todos os aspectos materiais de nossa vida de acordo com o princípio: ‘Conheçam-No em todos os seus caminhos’.” (*)
Portanto, o que podemos tirar de prático da Festa de Chanukah, é que cada um de nós deve dedicar sua vida a iluminar não somente aquilo que está ao seu redor, mas, como responsabilidade adicional e maior, se aplicar a manter acesa a sua “luz”, mesmo vivendo num mundo de escuridão, sofismas e cegueira espiritual.
As manchetes mostram diariamente tragédias, mortes, corrupção, traições, ódio, pais contra filhos, filhos contra pais. Através do conhecimento e da prática das Escrituras Sagradas, tornamo-nos “portadores de Luz” e, assim sendo, não é justo manter essa "Luz" apenas para nós; é necessário, através de um esforço sempre crescente, propagar essa “Luz”, expandindo-a ao ambiente social, aos relacionamentos, aos negócios … O Eterno é “Luz” e como Seus filhos, devemos manifestar a "Luz" da Torah por onde quer que andarmos.


nota (): (Um grande número de historiadores acreditam que a razão pelos oito dias de comemoração foi que o primeiro Chanucá foi de fato uma tardia comemoração do festival de Sucot, a Festa das Cabanas (Mac. x. 6 e i. 9). Durante a guerra os judeus não puderam celebrar Sucot propriamente. Sucot também dura oito dias, e foi uma festa na qual as lâmpadas tiveram um papel fundamental durante o período do Segundo Templo (Suc.v. 2-4). Luzes também eram acesas nos lares e o nome popular do festival era, portanto, segundo Flávio Josefo ([1] Antiguidades judaicas xii. 7, § 7, #323) o "Festival das Luzes" ). Foi notado que os festivais judaicos estavam ligados à colheita das sete frutas bíblicas na qual Israel ficou famoso. Pessach é a comemoração da colheita da cevada, Shavuot do trigo, Sucot dos figos, tamareiras, romãs e uvas, e Chanucá das olivas. A colheita das olivas é em Novembro e o óleo de oliva ficaria pronto para o Chanucá em Dezembro).




Sugestão:  uma forma de envolver nossas crianças, desde pequenas, com a festividade de Chanukah é incentivá-las,  já no início do ano, a guardar moedinhas em um cofrinho de Tsedakah para suprir os necessitados (e entregá-lo no dia da Festa).
(*) fonte: (Agência Judaica)

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