domingo, 6 de novembro de 2011

TEFILAH - AVODAH SHEBALEV / ORAÇÃO - O SERVIÇO DO CORAÇÃO

Tefilah/oração é a expressão mais óbvia e a mais universal do relacionamento do homem com o seu Criador. Em sua forma mais elevada e a seu nível mais sincero, a oração é chamada de “o serviço do coração” ou “avodah shebalev” e é uma das muitas maneiras de se expressar amor a HaShem.
“E servirás ao Eterno, teu Elohim, com todo o teu coração”. Devarim/Deuteronômio 6:5
Nos tempos antigos as orações não estavam estruturadas e eram informais. A obrigação mínima era rezar, ao menos, uma vez ao dia, muito embora muitos o tenham feito mais freqüentemente.
A oração, na sua forma mais ideal, deve ser espontânea, expressando em palavras o que o coração crê, a falta de capacidade das pessoas “de expressar-se adequadamente e com precisão”, a falta de conhecimento lingüístico da pessoa para “expressar adequadamente" suas necessidades ou louvores a HaShem nunca devem servir de impedimento, afinal, orar é falar com O Eterno, como se estivéssemos falando com nosso melhor amigo. 
 Embora o “serviço do coração” tenha sido sempre considerado a expressão mais natural da fé, as orações tornaram-se também o substituto oficial do serviço central do BeitHaMikdash/Templo de Yerushalayim/Jerusalém, depois de sua destruição e a cessação das oferendas (de acordo com a Torah, as oferendas sacrificiais só podem ser apresentadas no Beit Hamikdash. É proibido oferecer sacrifícios em outro lugar).
 Assim, a oração matinal (Shacharit) corresponde à oferenda da manhã, a oração de Minchah corresponde a oferenda diária da tarde, a oração de Mussaf no Shabat e nas festas, corresponde à oferenda adicional (Mussaf) prescrita pela Torah, para aqueles dias especiais. As horas das orações também correspondem aos horários nos quais os respectivos sacrifícios eram ofertados.
 A tradição, entre os israelitas, da oração ser um “serviço do coração”, remonta a tempos muito anteriores à destruição do Templo. Foram os patriarcas que nos deixaram o exemplo. “E Avraham rezou a Elohim” (Bereshit/Gênesis 20:17) foi um ato de fé, repetido por seus descendentes. Isto explica porque se estabeleceram três orações diárias e não duas, que seria lógico se o único motivo fosse seu papel de substituto pelas oferendas do Beit Hamikdash.
 Visto que os diversos serviços de orações são considerados, também, como substitutos dos korbanot/sacrifícios, as orações também assumiram a obrigatoriedade (e o caráter) dos mesmos. Os korbanot deveriam representar a lealdade e devoção a Elohim. Era também, um meio de "aproximar" o israelita de Elohim (korban – “sacrifício” é, na realidade, derivado da palavra “karov” – próximo). O “serviço de coração” deveria refletir estas qualidades.

 Por isso, em algumas Kehilot vemos orações espontâneas, contudo, estruturadas segundo o sacrifício no Templo (Vaykrah/Leviticos 1 a 5). Essa formatação de tefilah/oração foi apresentada como modelo por Yeshua quando Seus talmidim/discípulos lhe perguntaram como deveriam orar (vide abaixo).
  • Olah (Elevação)

Exaltamos o Nome do Eterno, nos aproximamos Dele. (Pai Nosso que estais nos céus, Santificado seja o Teu Nome)
  • Minchah (Presente)

Compromisso de nos concertarmos com o Ele através de jejum, oração, vida e testemunho. (Venha a nós o Vosso reino; seja feita Tua vontade)
  • Shelamim (Pazes/Shalom)
Shalom/Completude sobre o mundo através da Palavra da Verdade. (Assim na terra como nos céus; O pão de cada dia nos dá hoje)
  • Chatat (pecado, transgressão) e
  • Asham (culpa, impureza)
Arrependimento e pedido de perdão pelos pecados e pela impureza. (Perdoai as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores).
Vemos que Yeshua aplica a estrutura de sacrificios do Beit HaMikdash a uma oração modelo. Na realidade, através desse modelo, Yeshua está simplesmente confirmando as determinações que Ele mesmo deu a Mosheh, em Vaikrah/Levíticos. (Lamentavelmente milhões e milhões se utilizam dessa oração com absoluta ignorância de seu significado).

 A recitação de tefilot/orações, diariamente, pode tender a transformar-se numa prática rotineira. “Não é considerada uma prece, a oração de quem dela faz uma rotina”. (Berachot 4:4)
 Tefilah significa falar com Elohim, então, não deve ser um ritual religioso, mas o envolvimento numa experiência na qual buscamos nos comunicar diretamente com YHWH em sinceridade de coração. Portanto, esse é um recurso do qual podemos nos utilizar para orar tendo consciência exata do que estamos falando.  Para que a oração tenha significado, há que se buscar condições conducentes à concentração para que haja kavanah, exigindo pureza de pensamentos, santidade do lugar, comportamento digno e respeitoso, como por exemplo.
  •  Não conversar durante a oração;
  • Não provocar distração durante a oração;
  • Não permitir leviandade e nenhuma falta ao respeito.
 Talvez, por isso, as instruções do Mashiach quanto a "entrar no quarto, fechar a porta e falar com o Pai Celestial".  O lugar de oração há de ser um "recôndito" para nossa alma.  
 Mesmo quando estivermos numa kehilah/congregação, deveremos agir da mesma maneira, nos fechando para tudo o que estiver no exterior. 
 Essas são, apenas, algumas instruções destinadas a se conseguir mais profundidade espiritual ao rezarmos.  
 O resto, só depende da própria pessoa.
Shavuah Tóv!
fonte: inspirado em estudo de Moisheh Ben Levi. 

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