terça-feira, 15 de novembro de 2011

PORQUE O HEBRAICO É CHAMADO DE LASHON HAKODESH/LINGUA SAGRADA

O Hebraico é uma língua semítica e faz parte do grupo chamado afro-asiático.
É chamado de língua sagrada ou Lashon HaKodesh por ser a língua na qual a Bíblia (sobretudo a Torah e o Tanach) foi escrita originalmente e a língua com a qual o Eterno se comunicou com o Seu povo e porque durante muito tempo esteve restrita apenas aos serviços religiosos.
Depois de 19 séculos de Galut/Diáspora e após ser considerado praticamente extinto, o Hebraico foi resgatado, recuperou sua importância e tornou-se o idioma oficial do Estado de Israel.

Não há língua semelhante ao hebraico!  Por ter um alfabeto alfanumérico proporciona diferentes níveis de entendimento da Torah/Bíblia (histórico, literal, espiritual) ao se utilizar da "guemátria" (método hermêutico de análise das palavras em hebraico, de acordo com o valor numérico de cada letra) para dar compreensão às diversas passagens que aparecem de forma simbólica e/ou enigmática na mesma.
Algumas palavras na língua portuguesa tiveram influência do hebraico.  Azeite, por exemplo, que vem da palavra "hazait" (azeite), "amén" (amém), bacuri (b'kurim), entre outras.
Mas, nem sempre o hebraico teve a forma que conhecemos hoje; suas letras ou signos representavam seus significados. Por exemplo, o "alef" se parecia com a cabeça de um touro.  O "beit" representava uma casa/tenda; o "hey" um homem com os braços elevados; o "ayin" um olho; o "Kaf" uma mão aberta; e assim por diante. (Vide tabela ao lado).
Não é à toa que nas últimas décadas o Hebraico tem despertado tanto interesse por parte de  comunidades do mundo todo, e não apenas por teólogos ou filólogos como haveria de se esperar, mas por judeus que perderam o contato com a língua, por estudiosos cristãos, por leigos e estudantes da Bíblia e, principalmente, por aqueles que estão em teshuvah (retornando aos princípios bíblicos da fé).
O motivo?  No caso deste último grupo (no qual nos inserimos), o desejo de dissiparmos os sofismas, desenvolvendo estudo gradativo do Hebraico com a finalidade de estarmos capacitados a estudar as Escrituras - Torah/Tanach na sua essência.
Arthur Schopenhauer (1788-1860), um dos mais importantes filósofos alemães traz em seu livro "A Arte de Escrever" algumas reflexões importantes aos interessados na tradução e em línguas estrangeiras. "Para o filósofo, os livros não deveriam ser traduzidos, e sim lidos em seu idioma original. O argumento tem muita lógica se pensarmos que, na prática, é inviável fazer a tradução exata das idéias a partir das palavras de diferentes idiomas. As palavras de cada língua possuem um significado que está muito além da semântica e do contexto sintático, e adquire o aspecto cultural, segundo o qual cada signo traz a reboque todo o conjunto de significados atribuídos a ele ao longo das interações sociais. Além disso, cada tradutor tem um esquema mental interlinguístico diferente do outro, o que torna a idéia do autor condicionada às idéias do tradutor. O ideal é sermos poliglotas, a exemplo de Schopenhauer, e procurarmos compreender cada um desses significados e, com isso, chegar o mais próximo possível à idéia original do autor."
Tudo o que posso dizer é que, depois de lermos a Bíblia na língua original, os textos sagrados certamente passam a ser vistos sob um novo olhar e ganham um novo nível entendimento e interpretação,  prático e espiritual.
Shavuá Tóv!

2 comentários:

  1. Yorubá, Sânscrito, Enoquiano também são línguas litúrgicas, ou sagradas.

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    1. "Hebraico = Lashon HaKodesh/Lingua Sagrada"
      No segundo parágrafo do próprio texto você pode encontrar a resposta para sua pergunta: "por ser a língua na qual a Torah foi escrita originalmente e a língua com a qual o Eterno se comunicou com o Seu povo".
      Shalom!

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