terça-feira, 13 de setembro de 2011

YOM TERUAH ou ROSH HASHANAH?





Isso pode chocar muitas pessoas mas, infelizmente o sentido pleno dessa festa não é corretamente ensinado nas escolas e fontes judaicas e, raramente é mencionado pelas lideranças religiosas tradicionais.
O dia que se aproxima é chamado na Torah de Yom Teruá (Dia do Brado) e não tem qualquer alusão ao calendário ou ao termo Rosh Hashanah; sequer aparecendo na Torah. Rosh significa cabeça no sentido de começo/princípio e Shaná ano, literalmente “princípio/começo de ano”. 
Evidentemente, esse sentido de Cabeça de Ano foi dado pelos rabinos que, após o exílio da Babilônia, criaram o calendário civil e fizeram essa modificação, colocando o Sétimo mês (conhecido como Tishrei) como sendo o Primeiro mês. Esse calendário tornou-se, então, padrão para todo Israel, e o Sétimo mês comemorado como o Primeiro, a despeito de a Torah referir-se ao Primeiro Mês (onde celebramos o Pessach) como sendo o Cabeça/Rosh do Ano/haShanah .
O primeiro dia do Sétimo Mês é chamado na Torah  de Dia do Brado (Yom Teruá). Portanto, a “idéia de que Yom Teruah seria Rosh Hashanah não é bíblica” mas, deriva do sincretismo da solenidade bíblica com o festival babilônico do Akitu. (Vide artigo “O Calendário de YHWH” no site www.torahviva.org).  
Sendo assim, convém-nos aqui fazer uma breve reflexão sobre esta importante solenidade, à luz das Escrituras, para que se possa celebrar o moed (solenidade) de forma plenamente bíblica.
  • Yom Teruah, segundo a Torah
O início do estudo de Yom Teruah se dá pelas duas passagens da Torah onde Yom Teruá é determinado:
Fala aos filhos de Israel, dizendo: No mês sétimo, ao primeiro do mês, tereis descanso, memorial com teruá, santa convocação. Nenhum trabalho servil fareis, mas oferecereis oferta queimada a YHWH.”
"Daber el-benei Israel lemor bachodesh hashevi'i be'echad lachodesh yihie lachem shabaton zich'ron teruá micrá kodesh; kol-mechelet avodá lo ta'assu vehikravtem ishe l'YHWH." Vayicrá/Levítico 23:24-25
Algumas palavras-chaves aparecem na menção desta solenidade. A primeira a ser observada é a palavra “Shabaton”, e a proibição de “mechelet avodá”, isto é, trabalho servil. Isso significa que esta solenidade não é um Shabat completo (chamado biblicamente de Shabat Shabaton), e sim um dia em que não se exerce ou se usufrui de atividade servil. Para maiores informações sobre isso, vide o artigo “O Shabat e as Solenidades Bíblicas” no site do grupo TorahViva.
  • Toques de Shofar e Trombeta e as Solenidades

É importante ficar claro ao leitor que existem toques de shofar e de trombeta que não são específicos de Yom Teruah, mas que se faziam presentes em toda solenidade bíblica, bem como em outras datas importantes. Duas passagens devem ser analisadas:
Semelhantemente, no dia da vossa alegria e nas vossas solenidades, e nos princípios de vossos meses, também tocareis as trombetas [chatsotsrot] sobre os vossos holocaustos, sobre os vossos sacrifícios pacíficos, e vos serão por memorial perante vosso Elohim: Eu sou YHWH vosso Elohim." (Bamidbar/Números 10:10)
Yom Teruá é tanto um Moed, uma solenidade apontada, quanto é o primeiro dia do mês, e portanto é também Rosh Chodesh - literalmente, cabeça/princípio (Rosh) do novo (Chodesh), numa referência ao “novo mês”. Nunca é demais ressaltar que a expressão “rosh chodesh” é erroneamente traduzida como “lua nova” nas Escrituras.  Isso porque muitos tradutores cristãos durante muito tempo partiram do pressuposto de que o calendário mensal hebreu fosse lunar. Hoje, sabe-se que não é bem assim, e a tradução de “rosh chodesh” como “lua nova” em textos como Yovelim (Jubileus) e os calendários de Qum’ram tornariam o texto ambíguo e sem sentido, visto que os meses nessas obras não eram lunares. Para maiores informações sobre isso, vide nosso material sobre o calendário de HaShem.
O texto supracitado afirma que em datas como os moadim e os chodashim, sobre os sacrifícios do Mikdash (Santuário) eram tocadas as chatsotsrot, isto é, as trombetas de prata. Vale ressaltar que não eram quaisquer trombetas, e sim as duas trombetas de prata  do Mikdash (Santuário), à hora dos sacrifícios.
Evidentemente, sem o Mikdash (Santuário) e sem as chatsotsrot (trombetas) essa mitsvah (mandamento) é impossível de ser cumprida. Até é possível que se faça algo simbólico referente a isso, todavia não se pode considerar como cumprimento da mitsvá (mandamento).
A segunda passagem analisada é a passagem abaixo:
Tocai a shofar no chodesh [tiku vachodesh shofar], no tempo apontado da nossa festa.” (Tehilim/Salmos 81:3)
Observe que essa passagem afirma que havia toque de shofar no Chodesh, isto é, quando havia mudança de mês. Isto se aplica a Yom Teruá, e portanto no princípio de Yom Teruah, a shofar deve ser tocada para anunciar o início do sétimo mês.
Todavia, conforme observado anteriormente, esta passagem se refere a chodashim (meses) de um modo geral, e não especificamente a Yom Teruah.
Como visto, o termo “teruah” não obriga que haja toque de shofar ou de trombeta, uma vez que pode se referir a vários instrumentos ou mesmo a vozes humanas. O sentido de “teruah” é o de uma comoção, muito mais do que de um instrumento específico. 

Todavia, certamente que nos tempos bíblicos, o shofar era instrumento bastante comum, e certamente estava presente nas celebrações de Yom Teruah, assim como a trombeta, o címbalo, a harpa e outros instrumentos. Sendo assim, é pertinente o uso do shofar se desejado, embora não haja obrigatoriedade além daquela referente ao Chodesh.
  • Conclusões


O seguinte pode ser concluído sobre Yom Teruah, a partir da análise das Escrituras:
  • É fundamentalmente um memorial de júbilo (zich’ron teruah) e portanto é uma data de festividade bastante alegre.
  • Além do toque típico do Chodesh, não há obrigatoriedade de uso de shofar, embora seja possível fazê-lo.
  • É uma data em que se faz banquetes de alimentos que sejam agradáveis ao paladar.
  • Além do louvor ao Eterno, deve haver estudo das Escrituras.
  • Teruá também simboliza o alarido dos exércitos do Eterno, bem como o júbilo dos israelitas pela vitória vindoura no Dia de HaShem. O Dia de YHaShem marca do dia do retorno de Yeshua.
  • Apesar dos p’rushim (fariseus) o considerarem um dia terrível e misterioso, pelas Escrituras, Yom Teruah não é nem terrível nem misterioso.
  • As tradições rabínicas não apenas distorcem o significado de Yom Teruah, como ainda transgridem as Escrituras.
  • Yom Teruah também representa a alegria pela colheita de verão, que se encerra justamente nessa data.
  • O principal motivo de comemoração de Yom Teruah é o livramento que os israelitas têm por terem YHWH por Elohim.
O livramento é tanto de natureza militar, como também do juízo, em virtude da salvação do justo, o que é particularmente relevante para os seguidores de Yeshua.

Chag Sameach Yom Teruá!


fontes:  
www.torahviva.org


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