segunda-feira, 27 de junho de 2011

REFLEXÕES SOBRE O LIVRO DA SABEDORIA DE SALOMÃO (Sefer Chochmat Shlomo)

Reflexões sobre o Sefer Chochmat Shlomo
(Livro da Sabedoria de Salomão)
por  Sha'ul Bentsion
Um dos livros mais belos escritos por Shlomo HaMelech (Rei Salomão) não é encontrado no cânon protestante (pelos motivos já expostos nos comentários de outros apócrifos). Contudo, creio que seja de grande importância para nós, seguidores de Yeshua.
É com isto em mente que convido a todos a me acompanharem nesta pequena reflexão que intitulei de “O Jardim de Salomão”.
Veremos o magnífico e impressionante uso da interpretação por Shlomo (Salomão), e as incríveis implicações disso. Sua sabedoria provavelmente ia muito mais a fundo do que imaginamos, e esta obra denominada na Septuaginta de “Sabedoria de Salomão” (no hebraico “Chochmat Shlomo”), a quarta obra  literária de Shlomo (Salomão), é a chave para nossa reflexão.

Língua Original
Durante muito tempo, a igreja católica defendeu a tese de que Chochmat Shlomo (Sabedoria de Salomão) teria de fato sido escrito por Shlomo  HaMelech (o rei Salomão). Contudo, recentemente tem havido muita controvérsia a esse respeito. Entre os acadêmicos não há um consenso com relação à língua original de Chochmat Shlomo (Salomão).
Como supõem autoria de um judeu helenista, a corrente que defende a originalidade do grego ganhou certa força, principalmente em meio a teólogos católicos, que afirmam que o grego é muito bem escrito.
Contudo, esses mesmos teólogos caem em contradição ao admitir que diversas passagens trazem um “mau uso do grego”, que aponta claramente para uma  interpretação errônea do hebraico por baixo do texto grego. Muitas delas inclusive dão margem a reconstruirmos o texto original hebraico.
É também notório o fato do grande sábio Ramban (Rabino Moshe Ben Nachman) citar, no prólogo o seu comentário da Torá, a existência do Chochmat Shlomo no hebraico.
Além disso, não podemos deixar de ignorar o testemunho da igreja nestoriana, pois a Peshitta também traz o texto. Aliás, o livro no aramaico em diversos pontos discorda do grego, apontando para uma origem não no grego, mas sim no hebraico original de Shlomo (Salomão).
Por fim, pelo que veremos a seguir, não é difícil demonstrar a autoria de Shlomo (Salomão), conforme veremos mais adiante.

Pensamento Grego ou Sabedoria Judaica?
Um dos principais motivos dos acadêmicos protestantes duvidarem da autoria de Shlomo (Salomão) seria uma suposta influência do pensamento grego nesta obra, a qual eles alegam que poderia ser vista no papel da sabedoria, bem como em sua descrição da criação, e até mesmo nas descrições da alma e das dimensões espirituais.
Contudo, tais conclusões se devem na realidade à falta de compreensão de tais acadêmicos acerca da tradicional mística judaica. Um exemplo disso seria o fato de que a mesma alegação é feita com relação ao Sefer Chanoch (Livro de Enoque). Porém, escavações recentes trouxeram à tona fragmentos do mesmo nas cavernas de Qum'ram - comunidades bem distantes do helenismo e do pensamento grego.
Na realidade, a mística do Sefer Chochmat Shlomo em nada difere da mística judaica. Os elementos supracitados podem ser encontrados fortemente em obras como os Targumim (traduções comentadas do Tanach para o aramaico), nas Boas Novas de Yochanan, e até mesmo em outras obras de Shlomo, principalmente Mishlei (Provérbios).
Ao que tudo indica, o que temos na realidade é uma interpretação mais profunda explorada por Shlomo, em todo auge de sua sabedoria.
O mais curioso disso é que se analisarmos sob essa ótica, encontramos paralelos impressionantes entre as obras de Shlomo (Salomão) e as Boas Novas:
Se analisarmos o livro de Marcus, vemos que ele é bastante simples e objetivo, uma resposta direta acerca da missão de Yeshua - exatamente o tipo de resposta da qual precisa o locutor de Kohelet (Eclesiastes), decepcionado com a vida.


O livro de Lucas já é mais analítico, e apresenta uma preocupação de construção da figura do Messias em forma de midrash - exatamente como Shlomo (Salomão) faz com o viver a Torah em Mishlei (Provérbios). Podemos então concluir que o viver a Torah e o receber o Messias estão intrinsecamente ligados.


O livro de Matitiyahu (Mateus) é impressionantemente semelhante à Shir HaShirim (Cantares), pois apresenta o Reino do Messias/YHWH através de inúmeras parábolas - exatamente como Shir HaShirim (Cantares) faz com a relação entre Israel e YHWH, segundo os grandes sábios.” .


Já Yochanan (João) apresenta Yeshua como à luz do mundo, a Palavra/Memra/Sabedoria encarnada. É também onde vemos Yeshua sendo mostrado como o Filho do Homem. O paralelo com Chochmat Shlomo é grande demais para ser ignorado. Chochmat Shlomo fala justamente da Palavra/Memra/Sabedoria e ainda apresenta profeticamente o sofrimento do justo.
Esses paralelos, grandes demais para serem ignorados, certamente são fruto da Ruach HaKodesh (Espírito Santo).
Mas não podemos deixar de nos perguntar: Será que Shlomo (Salomão) sabia de alguma coisa quando estava escrevendo tais livros? Será que no alto de sua sabedoria ele enxergou o Messias?
É bem possível, dentro dos fatos aqui vistos...

Messianismo e Profecia
O principal motivo de Chochmat Shlomo não ter sido incluído quando consolidação do cânon judaico, já na era pós-talmúdica (cerca do século 3) é o seu forte messianismo. Desde aquela época vemos uma grande preocupação rabínica com textos e livros que pudessem servir de base para legitimar as “alegações dos seguidores de Yeshua”.
Curiosamente, mesmo os mais pragmáticos com relação às origens deste livro o colocam como anterior à vinda de Yeshua. Ora, tendo estabelecido este fato, os relatos (especialmente os do capítulo 4) de cunho messiânico são impressionantes.
O desenvolvimento teológico acerca da Palavra/Memra/Sabedoria que habitaria entre os homens também deve ter sido visto com grande preocupação por ser um dos temas centrais da fé em Yeshua, muito bem representado pelo livro de Yochanan (João)
O forte conteúdo profético de Chochmat Shlomo apontando para Yeshua enquanto Messias, servo sofredor, narrando sua morte humilhante, e ainda servindo de base para Yochanan (João) é forte evidência da sua inspiração divina.

Citações
Outra grande evidência de sua inspiração é o uso freqüente da teologia de Chochmat Shlomo na Bri't Chadashá (Novo Testamento). Segue lista de passagens que fazem uso dos conceitos estabelecidos no Sefer Chochmat Shlomo:
Mt. 24:42-43 e Sab 2:13,18 Rm. 11:34 e Sab 9:13 Ef. 6:13,17 e Sab 5:18-19 Hb. 1:3 e Sab 7:26 Rm. 5:12 e Sab 1:13-14 _  entre várias outras...
Além dessa, podemos citar ainda o forte paralelo entre João (Yochanan) e Chochmat Shlomo, conforme dito acima.

O Tripé de Shlomo
A mensagem de Chochmat Shlomo (Sabedoria de Salomão) parece apoiar-se numa espécie de tripé teológico. Chamo de tripé porque, tal como um tripé, onde há três ramificações unidas na base. Assim como um tripé traz estabilidade em qualquer circunstância, da mesma forma as três ramificações da fé em YHWH trazem estabilidade espiritual.
O elemento-chave do tripé é, naturalmente, a sabedoria, o conhecimento de YHWH que deve ser buscado a todo tempo.
Vemos também o Messias, tanto como servo sofredor como aquele que aponta o caminho de como deve ser uma vida de justiça (ie. o nosso modelo), também é um dos elementos essenciais. E o terceiro seria a Torah. Sua observância é bastante enfatizada e os vários aspectos de desprezo à Torah são tratados como o caminho dos iníquos, que leva à perdição.
O interessante é que esses três assuntos se fundem e se mesclam, demonstrando a unicidade de sua essência. O Messias é a Palavra/Sabedoria que é a Torah.
Encerro esta modesta reflexão ratificando as belíssimas palavras de Shlomo (Salomão), que nos ensina acerca da Torah dizendo:
O princípio da sabedoria é o mais sincero desejo pela Torah. E o zelo pela Torah é amar à sabedoria. E amá-la significa cumprir as suas mitsvot; e dar ouvidos às suas mitsvot é a segurança da incorruptibilidade; e a incorruptibilidade nos aproxima de Elohim. Portanto o desejo da sabedoria nos leva ao Reino. (Chochmat Shlomo/Sabedoria de Salomão 6:17-20)
 fonte: http://www.torahviva.org/index.php?p=5_55

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