quarta-feira, 1 de junho de 2011

"A MÁGOA E AS ENFERMIDADES"

Quando lemos:
(imagem extraída da internet)
"Já os meus olhos estão consumidos pela mágoa, e têm-se envelhecido por causa de todos os meus inimigos." (Tehilim/Salmos 6:7)

Como a amargura se enraiza? Através do ressentimento gerado pela mágoa!

A palavra "mágoa" tem origem no latim "macula" e representa um sentimento de desgosto, pesar, amargura, tristeza.

Na lingua portuguesa, "mácula" tem o significado de mancha, impureza, pecado; o mesmo que na Bíblia para indicar “imperfeito; impróprio” para o Eterno (todo holocausto oferecido ao Eterno deveria ser de animal sem mácula; sem mancha; sem defeito).

Portanto, quando ficamos magoados e não buscamos desalojar esse sentimento do nosso interior, ele se instala de tal modo, que passa a "macular" a nossa alma e a enfermá-la, impedindo que a luz do Eterno flua sobre as nossas vidas, de forma que as nossas orações não sejam ouvidas.

A mágoa é uma exaltação do ego que nos tira do momento presente, fazendo-nos sempre olhar  para trás. Ao olharmos para trás,  desviamos-nos do foco e ficamos incapazes de ir adiante e, com o tempo, a mágoa se enraiza, se transformando em raiva. A raiva, por sua vez, é geradora de impulsos violentos contra os que nos ofendem, ferem ou invadem a nossa dignidade, nos enredando de tal forma que, ao tentar suprimí-la, somos consumidos pela amargura. 

Se existe amargura, o caminho é tentar encontrar o motivo; compreender a pessoa que nos causou essa sensação dolorosa, colocando-nos no lugar dela. Ao buscarmos entender sua humanidade e limitação, seremos capazes de extirpar de vez esse sentimento aprisionador, que retém não só a nossa alma como também a do outro, impossibilitando-nos  o pleno perdão.

E perdoar, significa esquecer?

Perdoar não significa esquecer! Temos sentimentos e estes ficam registrados em nossa memória. Todavia, perdoar pode significar não sentirmos a mesma dor quando as lembranças emergem, mas vermos nisso a oportunidade que o Eterno nos concede para desenvolvermos o verdadeiro dom do amor, mencionado nas escrituras.

O crisol é para a prata, e o forno para o ouro; mas o Senhor é quem prova os corações” . (Provérvios 17:3)

Sim, O Eterno "prova a quem Ele ama"!

E é justamente em nossas fraquezas que o Eterno nos submete a provas, mas, não para castigar ou fazer com que nos sintamos fracassados, oprimidos, humilhados. Claro que não! Assim como na vida acadêmica, Ele nos submete a certos desafios para que, vencidos os obstáculos e tendo apreendido a lição, estejamos mais fortes e possamos seguir em frente.

Não é preciso esperarmos pelo Yom Kipur para fazermos reflexão em relação às transgressões entre o homem e seu Elohim e o homem e o seu semelhante, isto porque, a Torah deixa implícito que estamos "entrelaçados" uns com os outros, tornando-nos responsáveis uns pelos outros e, mesmo que não tenhamos cometido uma determinada ofensa, carregamos certa responsabilidade por aqueles que a fizeram, seja por omissão, seja por permissão.

Esse Shavu'ot foi muito especial por sua mensagem; porque, a despeito de sabermos que a única forma de alcançarmos o perdão do Eterno é expulsando da alma os rancores e ressentimentos - buscando a reconciliação e a paz com todos - muitas vezes não conseguimos enxergar que estender o nosso perdão sobre uma determinada pessoa é um ato ínfimo em relação à dimensão do perdão do Eterno e Sua misericórdia para conosco.

Não quero dizer com isso, que seja fácil; que é algo simples. Certamente que não! Mas, podemos começar deixando nossos corações serem tocados pela Ruach de Elohim, sendo por Ela sensibilizados a iniciarmos nosso processo de cura!

Chazak, chazak venit chazek!
(Força, força, sejamos fortalecidos!)

2 comentários:

  1. Achei essa mensagem sobre o perdão muito profunda,é algo que precisamos refletir,e ter atitudes consigo mesmo quando temos máguas de alguém, isso impede nosso relacionamento com HASHEM.É difícil,mas não importa quem está certo ou errado é deixar o orgulho de lado e permitir RUACH agir em nossa vida.CHAZAK,CHAZAK.
    SARAH SHAROM

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  2. Deveríamos dar mais atenção a certos sinais ... a amargura, por exemplo, uma vez instalada, contamina a todos que estão à volta!

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