sábado, 26 de fevereiro de 2011

RECEITA DE PURIM - ORELHAS DE HAMAN (Oznei Hamã)

Shalom, chaverim v'chaverot!

Ah! Não conseguiu fazer a receita para este Purim? Não fique triste! Pode "treinar" para a Festa do ano que vem ... as crianças vão amar (e os adultos também rs...)!


(Receita típica, utilizada em Chag Purim em Israel e em outros países)
ORELHAS DE HAMAN
Ingredientes:
200 gr de Manteiga ou margarina
100 gr de açúcar refinado (3/4 de um copo)
2 gemas
1 casca de laranja ralada
4 colheres de maizena (4 gramas)
3 copos de farinha de trigo (cerca de 1/2 kg)

2 colheres de sopa de leite (se quiser mais macia)
1 colher/sobremesa fermento químico
Modo de fazer:
Bater a manteiga com o açúcar até ficar cremosa e aerada. Adiciona-se uma a uma as gemas e a casca de laranja raspada. 
Em uma tigela à parte, misturar bem a maizena e a farinha acrescentando cuidadosamente a manteiga batida com o açúcar. 
Cobrir a massa e levar à geladeira por cerca de 30 minutos.
A seguir, dividir a massa, formando em média 30 círculos de meio centímetro de espessura.
Colocar uma colher de recheio (geléia favorita) no meio e fechar em forma de triângulo, assando em forno médio/baixo por 20 ou 25 minutos.
Bete'avon!

CURIOSIDADES SOBRE PURIM (lotes/sortes)

O LIVRO DE ESTER E A FESTA DE PURIM

Purim é um dos mais alegres e festivos feriados na tradição Judaica, um feriado cujos preceitos religiosos incluem ficar alegre, e até mesmo ficar ébrio. Essa é uma festividade que permite até mesmo aos mais sérios estudiosos da Torá se deixarem levar pelo espírito de diversão, e aproveitar a atmosfera festiva.

A fonte desta festividade está no Livro Bíblico de Ester, que relata a salvação dos Judeus Persas de Haman, ministro-chefe do Rei Persa Achashverosh, que conspirava para matar todos os Judeus do Reino (a localização de tempo desta história é estimada entre a destruição do Primeiro Templo e a construção do Segundo Templo, no final do século VI AEC). 

A data em que Purim é observado é o 14º dia do mês Hebraico de Adar (normalmente Março), para equiparar com a data em que Haman determinou que todos os Judeus fossem mortos. As celebrações de Purim continuam através do dia seguinte, que é chamado de Shushan Purim.

Um dos únicos aspectos do Livro de Ester é que a história gira em torno do heroísmo de uma mulher – Ester, que era Judia. Foi ela quem salvou o povo Judeu e transformou o dia do decreto ruim em um feriado histórico.

De acordo com as leis Judaicas, Purim não é considerado um dia sagrado, e portanto não é um dia oficial de descanso. O comércio (com exceção dos bancos) está aberto normalmente, mas as escolas estão fechadas e a atmosfera da festividade é evidente nas ruas em todo o país.

Costumes da Festa

  • O Jejum de Ester – Um dia antes de Purim é um dia de jejum que comemora o jejum feito por Ester e todos os Judeus Persas antes da aproximação de Ester do Rei Achashverosh para suplicar por seu povo. Diferente dos jejuns do Dia da Expiação e de Tisha B’Av, mas similar a outros dias de jejuns menores, o jejum de Ester começa ao amanhecer do dia e termina no pôr-do-sol.
  • A Leitura do Livro de Ester – Na noite de Purim e na manhã da festividade, o Livro de Ester é lido em voz alta na sinagoga. Existe um princípio religioso que permite às mulheres ouvirem a leitura, e as crianças também são bem vindas. A leitura de Ester é um evento social muito alegre, pois a cada menção ao perverso Haman, que se tornou sinônimo de maldade com todos os outros que tentaram ir contra os Judeus, os congregados e especialmente as crianças tentam abafar o seu nome, sacudindo um tipo de reco-reco.
  • Refeição da Festividade – Após o jejum faz-se uma refeição festiva, com jogos e outros divertimentos que vão até tarde da noite. É um preceito religioso ficar embriagado a tal ponto onde não se sabe a diferença entre o herói da história de Purim e o maldoso Haman.
  • Presentes com comidas diferentes – Como parte da alegria desta festa, os Judeus tem o hábito de preparar cestas com presentes e mandá-las a seus amigos e vizinhos, e também de dar dinheiro aos pobres.
  • Fantasias – Este costume de vestir máscaras e fantasias desenvolveu-se na Idade Média, aparentemente influenciado por carnavais locais. As crianças pequenas têm um especial interesse neste aspecto da festa e podem ser vistas nas ruas vestindo suas fantasias.
  • Orelhas de Haman – uma tradicional iguaria de Purim: massa triangular (semelhante a orelhas) recheadas com sementes de papoulas e muitos outros tipo de recheios doces.  (Vide receitas)
Informação Importante
Nos dias que precedem Purim e o próprio dia da festa, Israel fica inundado de uma atmosfera alegre. 
As ruas ficam cheias de crianças fantasiadas, e as lojas vendem acessórios brilhantes e coloridos para a festividade, e há festas onde os adultos também se fantasiam. 
Um tradicional evento de longa data, da época dos assentamentos Judaicos restabelecidos em Israel, é o desfile de Purim através das ruas da cidade. 
Antigamente o desfile acontecia em Tel Aviv, mas hoje em dia existem desfiles em todo o país. 
O maior e mais impressionante deles é feito ao sul de Tel Aviv, em Holon, uma cidade que nos últimos anos desenvolveu a reputação de ser muito amigável com crianças.

(Fonte):www.goisrael.com


CHAG SAMEACH PURIM!

sábado, 19 de fevereiro de 2011

SEFER TEHILIM (LIVRO DOS SALMOS)

(imagens somente para fins ilustrativos)
O QUE É "TEHILIM"?

Tehilim é uma palavra da língua hebraica, no plural e significa "louvores, cânticos de exaltação" e, por isso, este sefer (livro) pode ser traduzido como "Livro dos Louvores". Seus textos traduzem beleza e profundidade incomparáveis - são cânticos de exaltação e gratidão à HaShem (Yud, Hey, Vav, Hey) - orações e súplicas em momentos de dificuldade - gratidão por livramento e cura - exortações e conselhos que apontam para o verdadeiro Shalom (completude), frutos da obediência à Torah e da fé no Mashiach.

No Sefer Tehilim (Livro de Salmos) o Eterno é louvado frequentemente por Sua grandeza e glória, bondade e compaixão para com Am'Israel. Neles também a Torah é exaltada como expressão máxima do cuidado e amor de HaShem por todo o Seu povo.

Nem todos os Tehilim foram escritos por David Melech. Na Bíblia, há menção ao nome de Shlomo, Assaf, ben Corach e Mosheh, entre outros. Através dos Tehilim, inspirados pela Ruach HaKodesh, cada um pode proclamar sua total confiança, esperança e alegria no Grande El Shaddai de Israel.

A cada dia, após as orações da manhã, é costume se dizer uma porção dos salmos, completando assim toda a sequência no decorrer de uma semana ou de um mês. Há também uma tradição de se recitar diariamente o capítulo de Tehilim correspondente à idade que a pessoa irá completar ou ler um dos salmos relacionados à sua necessidade diária.

Através da leitura de Tehilim somos levados a refletir em tudo aquilo que se passou na vida de Am'Israel:- seus feitos, conquistas, derrotas e vitórias - e relacionarmos com o nosso dia a dia.

Não é à toa que os Salmos (Tehilim) são "universais"; ultrapassam barreiras de línguas, culturas e credos, pois expressam os "gritos de alegria ou de dor", do mais profundo do coração humano e são porta vozes de todos aqueles que, em momentos de angústia e dor, não encontram palavras que as representem.

Desde a antiguidade, o Sefer Tehilim é dividido em cinco livros ou volumes, assim dispostos: (1) Salmos 1-41; (2) Salmos 42-72; (3) Salmos 73-89; (4) Salmos 90-106; (5) Salmos 107-150.
E, então, vamos praticar?

Sefer 1 – TEHILIM 34
  1. De David, quando fingiu loucura diante de Avimélech, que o fez expulsar, e ele se pode ir.
  2. Bendirei ao Eterno por todo o tempo e em minha boca estará sempre o Seu louvor.
  3. No Eterno se glorificará minha alma; ouçam isto os humildes, e se alegrem.
  4. Engrandecei comigo ao Eterno e, a uma só voz, exaltemos, juntos, o Seu Nome.
  5. Busquei o Eterno e Ele me respondeu, e de todos os meus temores me livrou.
  6. Os que a Ele se voltam são iluminados por sua luz, e seus semblantes jamais se cobrem de vergonha.
  7. Quando clama o pobre, o Eterno o ouve e o livra de todas as suas atribulações.
  8. Acampa o anjo do Eterno ao redor dos que O temem e lhes traz salvação.
  9. Considerai e vede quão bom é o Eterno. Bem aventurado é o que Nele confia!
  10. Que temam ao Eterno seus consagrados e nada lhes há de faltar.
  11. Podem os leões sofrer de fome, mas para os que buscam ao Eterno, nada faltará.
  12. Vinde, filhos, e escutai-me; ensinar-vos-ei o temor ao Eterno.
  13. Quem é o homem que ama a vida e deseja longos dias para aproveitá-la em felicidade?
  14. Aquele que guarda do mal a sua língua e cujos lábios não pronunciam falsidades;
  15. que se desvia do mal e pratica o bem, busca a paz e segue seu caminho.
  16. O Eterno tem Seus olhos fixos nos justos, Seus ouvidos atentos a seu clamor.
  17. Desvia o Eterno Sua face dos malfeitores para, da terra, erradicar sua lembrança.
  18. Clamam ao Eterno os justos. Ele os escuta e livra-os de todas as suas atribulações.
  19. O Eterno apoia os alquebrados de coração e salva os de espírito contrito.
  20. Numerosas são as aflições dos justos, mas Ele os livra de todas elas.
  21. Preserva todo o seu ser, nem sequer um osso é quebrado.
  22. A própria maldade destruirá o ímpio e, por seu ódio ao justo, lhe advirá condenação.
  23. Resgata o Eterno a alma de Seus servos; os que Nele buscam refúgio, jamais perecerão.

    Shavuá Tóv!

sábado, 12 de fevereiro de 2011

HEVEINU SHALOM ALEICHEM / MA ANA AJMAL MIM SALAM

Tradução:- "Não há nada mais lindo do que termos completude"
(em hebraico e árabe)
Sim Shalom
(Benção da Completude)
Transliteração:

Sim shalom tová uverachá, chayim chén vachéssed verachamim, alênu veal col Yisrael amêcha. Barechênu avínu culánu keechad beór panêcha, ki veór panêcha natáta lánu Adonai Elohênu torat chayim veahavat chéssed, utsedacá uverachá verachamim vechayim veshalom. Vetov yihiê beenêcha levarchênu ulevarech et col amechá Yisrael bechol êt uvechol shaá bishlomêcha.Sim shalom tová uverachá, chayim chén vachéssed verachamim, alênu veal col Yisrael amêcha. Barechênu avínu culánu keechad beór panêcha, ki veór panêcha natáta lánu Adonai Elohênu torat chayim veahavat chéssed, utsedacá uverachá verachamim vechayim veshalom. Vetov yihiê beenêcha levarchênu ulevarech et col amechá Yisrael bechol êt uvechol shaá bishlomêcha.

Tradução:
Faze recair grande Completude, bem-estar e benção, vida, graça e misericórdia sobre nós e sobre todo o Teu povo Israel, e abençoa-nos a todos conjuntamente com a Luz da Tua Presença; porque com o fulgor dessa mesma Presença deste-nos, Eterno, nosso Elohim, leis para a vida e amor benevolente, justiça e misericórdia, benção e Shalom; e seja agradável a Teus olhos abençoar-nos e abençoar o Teu povo Israel em todo o tempo e em todos os lugares, com as bênçãos da Tua Completude. 
אֶת־שְׁלוֹמִי אֶתֵּן לָכֶם
Shavuá Tóv!

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

PRESENÇA JUDAICA "NA LINGUA PORTUGUESA e NAS TRADIÇÕES FAMILIARES"

Permitam-me, aqui, introduzir um pequeno depoimento de cunho pessoal, antes de continuar a postagem sobre a "Herança Israelita no Brasil", afinal, muitos podem ter questionamentos semelhantes:-

"Em minha infância, muito me intrigava ver, de um lado, a aversão de meu pai - que nunca entrou numa igreja - e, de outro, a exacerbada religiosidade de minha avó.


Muitos dos costumes existentes em minha família eram um tanto quanto estranhos aos costumes de outras famílias tipicamente católicas, tais como:- "cobrir espelhos em períodos de luto; não fazer velórios dentro da casa; lavar as roupas na volta de enterros e não entrar em casa com os sapatos usados no cemitério; não varrer lixo pra fora da porta; limpar a casa na sexta-feira e não fazer trabalhos após o por de sol; não apontar estrelas; jejuar na Páscoa; pedir a benção antes de dormir; abençoar os alimentos; agradecer após as refeições; dizer D-us te crie e mais um "sem" número de coisas.

Foi na Teshuvah que descobri minha herança israelita!

Por exemplo, pesquisando o sobrenome Bezerra Feitoza de meu pai, cheguei ao Sertão dos Inhamuns (CE) e a Portugal, onde, novilha nova é Feitozinha; e assim consegui entender tantos paradoxos".

EXPRESSÕES E DIZERES POPULARES NA LÍNGUA PORTUGUESA
(bode expiatório)
(…“Há uma significativa probabilidade estatística de brasileiros descendentes de ibéricos, principalmente portugueses, terem alguma ancestralidade judaica. A base histórica para tal é a imigração maciça de judeus expulsos da Espanha, em 1492, para Portugal, devido à contigüidade geográfica e às promessas (não cumpridas) do Rei D. Manuel I, que traziam esperança de sua sobrevivência judaica como tal. Mesmo com a expulsão de Portugal em 1497, os judeus (além dos cristãos-novos e dos cripto-judeus ou marranos) chegaram a constituir 20 a 25% da população local.”
Uma característica do comportamento de cristãos-novos “suspeitos” foi procurar ser “mais católicos do que os católicos”, buscando sobreviver à intolerância e determinando práticas sócio-culturais e lingüísticas.”
Antes de exemplificar a contribuição lingüística marrana, convém ressaltar que a vinda dos portugueses para o Brasil trouxe consigo todos os empréstimos culturais e lingüísticos que já haviam sido incorporados ao cotidiano ibérico, desde uma época anterior à Inquisição, além de novos hábitos e características; muitas palavras e expressões de origem hebraica foram incorporadas ao léxico da língua portuguesa mesmo antes de os portugueses chegarem ao Brasil. Elas encontram-se tão arraigadas em nosso idioma que muitas vezes têm sua origem confundida como sendo árabe ou grega. Exemplo: a “azeite”, comumente atribuída uma origem árabe por se assemelhar a um grande número de palavras começadas por “al-” (como alface, alfarrábio, etc.), identificadas como sendo de origem árabe por esta partícula corresponder ao artigo nesta língua. O artigo definido hebraico é a partícula “a-” e “azeite” significa, literalmente, em hebraico “a azeitona” (ha-zait).”
Apesar da presença judaica por tantos séculos, em Portugal como no Brasil, as perseguições resultaram também em exclusões vocabulares. A maior parte dos hebraísmos chegou ao português por influência da linguagem religiosa, particularmente da Igreja Católica, fazendo escala no grego e no latim eclesiásticos, quase sempre relacionados a conceitos religiosos, exemplos: aleluia, amém, bálsamo, cabala, éden, fariseu, hosana, jubileu, maná, messias, satanás, páscoa, querubim, rabino, sábado, serafim e muitos outros.”
Algumas palavras adotaram outros significados, ainda que relacionados à idéia do texto bíblico. Exemplos: babel indicando bagunça; amém passando a qualquer concordância com desejos; aleluia usada como interjeição de alívio.”
O preconceito marca palavras originárias do hebraico usadas de forma depreciativa, como: desmazelo (de mazal – negligência, desleixo), malsim (de mashlin – delator, traidor), zote (de zot / subterrâneo, inferior, parte de baixo – pateta, idiota, parvo, tolo), ou tacanho (de katan – que tem pequena estatura, acanhado; pequeno; estúpido, avarento); além de palavras relacionadas a questões financeiras, como cacife, derivada de kessef = dinheiro.”
Podemos citar centenas de nomes e sobrenomes de judaizantes e números de seus dossiês, desde a instalação da Inquisição no Brasil, a partir dos arquivos da Torre do Tombo, em Lisboa, e de livros como Wiznitzer (1966), Carvalho (1982), Falbel (1977), Novinsky (1983), Dines (1990), Cordeiro (1994), etc. Sobrenomes muito comuns, tanto no Brasil como em Portugal, podem ser atribuídos a uma origem sefardita, já que uma das características marcantes das conversões forçadas era a adoção de um novo nome. Muitos conversos adotaram nomes de plantas, animais, profissões, objetos, etc., e estes podem ser encontrados em famílias brasileiras, até hoje, em número tão grande que seria difícil enumerá-los. Exemplos: Alves, Carvalho, Duarte, Fernandes, Gonçalves, Lima, Silva, Silveira, Machado, Paiva, Miranda, Rocha, Santos, etc. Não devemos excluir a possibilidade da existência de outros sobrenomes portugueses de origem judaica.”
Porém é importante ressaltar que não se pode afirmar que todo brasileiro cujo sobrenome conste dos processos seja descendente direto de judeus portugueses; para se ter certeza é necessária uma pesquisa profunda da árvore genealógica das famílias.”
Algumas palavras também designam práticas judaicas ou formas de encobrí-las, especialmente observável nos costumes alimentares. Por exemplo: os judeus são proibidos pela Torá de comer carne de porco, porque tem os cascos fendidos e não rumina, sendo, portanto, impuro. Para simular o abandono desse princípio e enganar espiões da Inquisição, os cristãos-novos inventaram as alheiras, embutidos à base de carne de vitelo, pato, galinha, peru – e nada de porco. Após algumas horas de defumação já podem ser consumidos. Da mesma forma, peixes “de couro” (sem escamas) não serviam para consumo.
Passando às expressões, apresento alguns exemplos, sua origem e explicação:
Ficar a ver navios – Em 1492 foi determinado que os judeus que não se convertessem teriam de deixar a Espanha até ao fim de julho. Centenas de milhares então se fixaram em Portugal. O casamento do rei D. Manuel com D. Isabel, filha dos Reis Católicos, levou-o a aceitar a exigência espanhola de expulsar todos os judeus residentes em Portugal que não se convertessem ao catolicismo, num prazo que ia de Janeiro a Outubro de 1497. O rei Dom Manuel precisava dos judeus portugueses, pois eram toda a classe média e toda a mão-de-obra, além da influência intelectual. Se Portugal os expulsasse logo como fez a Espanha, o país passaria por uma crise terrível. Na realidade D. Manuel não tinha qualquer interesse em expulsar esta comunidade, que então constituía um destacado elemento de progresso nos setores da economia e das profissões liberais. A sua esperança era que, retendo os judeus no país, os seus descendentes pudessem eventualmente, como cristãos, atingir um maior grau de aculturação. Para obter os seus fins lançou mão de medidas extremamente drásticas, como ter ordenado que os filhos menores de 14 anos fossem tirados aos pais a fim de serem convertidos. Então fingiu marcar uma data de expulsão na Páscoa. Quando chegou a data do embarque dos que se recusavam a aceitar o catolicismo, alegou que não havia navios suficientes para os levar e determinou um batismo em massa dos que se tinham concentrado em Lisboa à espera de transporte para outros países. No dia marcado, estavam todos os judeus no porto esperando os navios que não vieram. Todos foram convertidos e batizados à força, em pé. Daí a expressão: “ficaram a ver navios”. O rei então declarou: não há mais judeus em Portugal, são todos cristãos (cristãos-novos). Muitos foram arrastados até a pia batismal pelas barbas ou pelos cabelos.
Pensar na morte da bezerra - frase tão comumente dita por sertanejos quando querem referir-se a alguém que está meditando com ares de preocupação: “está pensando na morte da bezerra”. Registram as denunciações e as confissões feitas ao Santo Oficio, a noção popular, naquele distante período, do que seria o livro fundamental do judaísmo: a Torá. De Torá veio Toura e depois, bezerra, havendo inclusive quem afirmasse ter visto em cara de alguns cristãos-novos, o citado objeto, com chifres e tudo.
Passar a mão na cabeça - com o sentido de perdoar ou acobertar erro cometido por algum protegido, é memória da maneira judaica de abençoar de cristãos-novos, passando a mão pela cabeça e descendo pela face, enquanto pronunciava a bênção.
Passar mel na boca - quando da circuncisão, o rabino passa mel na boca da criança para evitar o choro. Daí a origem da expressão: “Passar mel na boca de fulano”.
Para o santo - o hábito sertanejo de, antes de beber, derramar uma parte do cálice, tem raízes no rito hebraico milenar de reservar, na festa de Pessach (Páscoa), um copo de vinho para o profeta Elias (representando o Messias que virá, anunciado pelo Profeta Elias).
Que massada! – usada para se referir a uma tragédia ou contra-tempo, é uma alusão à fortaleza de Massada na região do Mar Morto, Israel, reduto de Zelotes, onde permaneceram anos resistindo às forças romanas após a destruição do Templo em 70 d.C., culminando com um suicídio coletivo para não se renderem, de acordo com relato do historiador Flávio Josefo.
Pagar siza - significando pagar imposto vem do hebraico e do aramaico (mas = imposto, em hebraico de misa, em aramaico).
Vestir a carapuça ou “a carapuça serve para ...” - vem da Idade Média inquisitorial, quando judeus eram obrigados a usar chapéus pontudos (ou com três pontas) para serem identificados.
Fazer mesuras - origina-se na reverência à Mezuzá (pergaminho com versículos de DT.6, 4-9 e 11,13-21, afixado, dentro de caixas variadas, no batente direito das portas).
"D-us te crie" - após o espirro de alguém é uma herança judaica da frase Hayim Tovim, que pode ser traduzido como tenha uma boa vida.
Pedir a bênção - aos pais, ao sair e chegar em casa, é prática judaica que remonta à benção sacerdotal bíblica, com a qual pais abençoam os filhos, como no Shabat e no Ano Novo.
Entrar e sair pela mesma porta traz felicidade - bem como o costume de varrer a casa da porta para dentro, costume arraigado até os dias de hoje, para “não jogar a sorte fora” é uma camuflagem do respeito pela Mezuzá, afixada nos portais de entrada, bem como aos dias de faxina obrigatória religiosa judaica, como antes do Shabat (Sábado, dia santo de descanso semanal) e de Pessach.
Apontar estrelas faz crescer verrugas nos dedos - era a superstição que se contava às crianças para não serem vistas contando estrelas em público e denunciadas à Inquisição, pois o dia judaico começa no anoitecer do dia anterior, ao despontar das primeiras estrelas, dado necessário para identificar o início do Shabat e dos feriados judaicos."...)
Conclusão:- O Eterno prometeu a Avraham que faria sua descendência tão numerosa quanto as estrelas do céu. Dentre a grande maioria da população mundial, hoje, estão os remanescentes da Casa de Yehuda (judeus) e da Casa de Efrayim (10 Tribos). Estes são os que estão sendo chamados a voltar às suas origens, a "Voltar para Casa" pelos caminhos da Torah.
Shalom u'vrachah!
nota:- (aguarde postagens sobre As Tribos Perdidas de Israel)
nota:- Para ver estudo completo consulte:
Jane Bichmacher de Glasman (UERJ)

PRESENÇA JUDAICA NA LÍNGUA PORTUGUESA

EXPRESSÕES E DIZERES POPULARES EM PORTUGUÊS

DE ORIGEM CRISTÃ-NOVA OU MARRANA

Outras fontes:

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

MUITOS BRASILEIROS DESCONHECEM A SUA ASCENDÊNCIA JUDAICA

Sabem apenas que o Brasil foi colonizado por portugueses, deduzindo, assim, que são descendentes desses portugueses, dos índios e dos negros.
(Descobrimento do Brasil)

Segundo estudiosos, boa parte da população brasileira tem ascendência judaica pois, descendem dos marranos (portugueses e espanhóis), deportados para o "Novo Mundo", por volta do ano de 1500, sob condenação por "judaísmo".



Em vários casos, a noção de pertencer à Nação Judaica tem sido transmitida de geração a geração, desde os tempos da Inquisição em Portugal, sendo mantida na intimidade dos lares por vários séculos. Em outros casos, esta realidade permaneceu adormecida no inconsciente de indivíduos que, sem saber porque, sentiam-se atraídos pela cultura e pelo povo de Israel.
Nos últimos anos, porém, a questão dos “b'nei anuzim” (marranos) tem ressurgido fortemente, sendo alvo de grande interesse e fonte de inúmeros estudos. Recentes investigações científicas da Etnologia e da Linguística demonstram que o termo "marrano" provêm do hebraico, cujo significado é 'transformado / convertido à força', tendo sido adotado pela comunidade judaica para se referir aos judeus Ibéricos de uma forma geral, nos séculos XV a XVII.
(Trecho do Livro "OS MARRANOS E A DIÁSPORA SEFARDITA" de Hélio Daniel Cordeiro)
"Já é relativamente bem conhecida nos meios acadêmicos do Brasil e do Exterior a presença dos cristãos-novos portugueses na terra brasileira desde a chegada ao País dos primeiros colonos. Foram estes cristãos-novos (judeus convertidos à força ao catolicismo) que ajudaram decididamente na povoação e desenvolvimento brasileiros. Foram eles também que, mais tarde, ao lado de outros brasileiros, que conquistaram a Independência do Brasil. Ao longo de todos estes anos a contribuição cristã-nova era sentida em praticamente todos os campos da vida nacional, do comércio à literatura."
Mais do que nunca os descendentes dos marranos têm buscado informações históricas sobre seu passado (origens, lingua e tradições.). Muitos indivíduos têm expressado esse interesse aprendendo sobre a vida e as práticas judaicas. Alguns até buscam as autoridades rabínicas visando, formalmente, serem reconhecidos como "B'nei Israel”, fazendo  "aliah" (conversão ao judaísmo rabínico).
Porém, para ser B'nei Israel não é preciso se tornar judeu por conversão ao judaísmo rabínico pois, B'nei Israel sãos os yehudim "juntamente" com todos os "dispersos" da Casa de Israel (Efrayim). 
E você? Conhece a sua ascendência? O video abaixo nos traz um pouco da história que muitos de nós desconhecemos!

Shalom lekulam!