sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

TESHUVÁ PASSO (2) - SAIBA A QUEM VOCÊ SERVE (Parte 1)

Segundo Passo: Saiba a Quem Você Serve (Parte 1)
Por Shau'ul Bentsion
II - Introdução ao Segundo Passo
        Permita- me cumprimentar a você por dar mais um passo em sua caminhada, meu caro amigo leitor. Se você chegou até aqui, já reparou que a caminhada com Yeshua tem um preço, mas que Seu jugo é leve e suave. Você certamente já se sente mais livre para servi-lo, tendo deixado para trás coisas que não O agradavam.
        Este segundo passo também é composto de um ato de purificação, mas diferentemente do primeiro, ele também vem acompanhado de um adquirir maior intimidade com o Criador. Vamos a ele.
       Você consegue se imaginar chamando o Eterno de "Ogum" e iniciando uma oração dizendo "Meu querido Ogum..."? Provavelmente a mera sugestão causaria repulsa. Você oraria dizendo "Meu querido Zeus..."?
       No entanto, é isso que muitos, inocentemente, fazem diariamente! Você sabe de onde vem o termo "Deus", que é usado para se referir ao Criador? 
III - A Origem do Termo "Deus"

       O termo ''Deus" é exatamente a forma latina do deus grego Zeus. No grego antigo, o termo Zeus era pronunciado "dzeús", o que foi entendido pelos romanos como "Deus". Observe a definição do dicionário abaixo:
       " Zeus, poeticamente referido pelo vocativo Zeu pater "O, pai Zeus" é uma continuação de Dieus, o Proto-Indo-Europeu deus do céu diurno, também chamado de "dyeus phater/pai do céu". (American Heritage Dictionary, Zeus)
       Talvez essa revelação seja um choque para você. Mas o uso do termo "Deus", chefe do panteão greco-romano, só começa a ocorrer de forma mais corrente a partir do terceiro século, numa época em que já havia bastante sincretismo entre a fé biblica e as vertentes do paganismo.
       Era mais fácil para os pagãos, conceber um Ser Supremo como sendo o próprio "Deus", chefe do panteão que eles já conheciam, do que explicar que "Deus" (Zeus-Olimpo) é uma falsa divindade, que deveria ser desprezada em favor de um Ser Supremo revelado a outra nação.
       Os escritos associando o Elohim dos israelitas ao "Deus" greco-romano começam a se popularizar à medida que os escritos em latim se tornaram mais frequentes e foram cristalizados com os escritos de Tertuliano e a posterior composição da Vulgata Latina, que oficializaram o uso do termo "Deus" para se referir ao Elohim dos israelitas. É da Vulgata Latina e da tradição católica que surge o termo em português. 
IV - Por quê isso Importa?

      Certamente essa é uma pergunta que você pode estar se fazendo. Afinal, o Eterno sabe quando estamos nos dirigindo a Ele, independentemente do nome invocado.
       Porém, existe uma diferença entre saber e até mesmo tolerar, por causa da ignorância, e se agradar disso. Ao longo da Bíblia, o Eterno tolerou muita coisa do Seu povo, o que não quer dizer que Ele disso se agrada.
       E é na própria Bíblia que encontramos o Eterno expressando seu descontentamento com Israel por chamá-lo pelo nome de deuses pagãos:
      “E naquele dia, diz YHWH, tu me chamarás: meu marido [ishi]; e não mais me chamarás: Meu Ba’al [ba’ali]. E da sua boca tirarei os nomes dos Ba’alim, e não mais se lembrará desses nomes.’’ ( Hoshea/Oséias 2:16-17)
      Os ‘ba’alim’ eram exatamente os termos usados para deuses cananeus, que eram conhecidos como sendo os senhores – tradução literal de ‘ba’alim/das regiões cananéias'. Por exemplo, Ba’al-Tsefon e Ba’al-Peor (Shemot/Êxodo 14:2,  Vaycrah/Números 25:3,etc) eram literalmente os senhores de Tsefon e Peor.
      É inegável que o Eterno se desagradaria de ser chamado pelo nome de falsos deuses, cuja idolatria está associada ao culto a demônios. Você não o chamaria de Buda, nem de Ogum, porque certamente o desagradaria. Assim sendo, Ele não pode se agradar de ser chamado de “Deus”, uma falsa divindade greco-romana (encontrada na mitologia).
      No passo anterior, falamos sobre o exemplo da moça que se preparava para embarcar num relacionamento com seu futuro marido. Dentro dessa mesma analogia, se agradaria esse marido ser chamado pelo nome de um ex-namorado? 
V - O Nome do Criador

      Mas por qual nome deveremos chamar o Eterno?
     “Então disse Moshe a Elohim: Eis que quando eu for aos filhos de Israel, e lhes disser: O Elohim de vossos pais me enviou a vós; e eles me disserem: Qual é o seu nome? Que lhes direi? ’’ (Shemot/Êxodo 3:13)
      Moshe (Moisés) queria saber o Nome daquele a quem o havia ensinado. Quem é o Elohim de Israel? Qual é o seu nome?
      Os povos que vivem na idolatria sabem a quem adoram. Eles adoram “Deus”, a “Ogum”, a “Alá”, e nós? A quem nós adoramos? Qual é o nome do verdadeiro e único Criador?
     O Criador, único e verdadeiro, responde a Moshe (Moisés) da seguinte forma:
     “E disse Elohim a Moshe: EU SOU O QUE SOU [hebraico: Ehyeh asher Ehyeh]. Disse mais: "Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU [Ehyeh] me enviou a vós”. (Shemot/Êxodo 3:14)
     Preste atenção nessas palavras. O Eterno diz que Seu nome é “Eu sou”. Ou como pode ser também traduzida a expressão: Eu existo.
     Ele não poderia ter outro nome. Ele é O próprio verbo ser está sujeito a Ele, porque nada pode ser, sem Ele autorizar. Em outras palavras: nada pode existir, se não for por meio dEle. Ele é o Criador!
     Na Bíblia, o termo que é usado para se referir ao Criador é conhecido como o tetragrama – isto é, literalmente – as quatro letras. Porque Seu Nome ao longo do texto bíblico é escrito como quatro letras hebraicas: "Yud, Hey, Vav, Hey".

      Em sua forma original no hebraico antigo esse Nome é escrito da seguinte forma: 
     Essa forma é bastante simples de entender. A raíz hebraica "Hey Vav Hey" significa leiteralmente “ser” ou “existir”. Quando conjugada na terceira pessoa do masculino ela recebe um Yud na frente. Portanto, "Yud- Hey- Vav- Hey" significa literalmente “Aquele que é”, ou “Ele é”.
     O nome do Eterno revela algo muito importante sobre o nosso relacionamento com Ele: Tudo aquilo que nós não somos, Ele é. Ele é o único capaz de nos suprir em todas as nossas necessidades. E tudo aquilo que somos, devemos a Ele, e devemos ser para Ele.
     E como se pronuncia seu nome?
     No hebraico antigo, as vogais não eram escritas nas palavras, apenas as consoantes. Isso porque as vogais variavam muito de acordo com a conjugação. Por isso, não se preservaram as vogais do Nome.
     Muitos grupos religiosos tecem teorias das mais mirabolantes possíveis para afirmarem qual é o Nome do Eterno, cada um com suas explicações. Porém, o fato é que o meio acadêmico é praticamente unânime em apontar que o Nome se pronuncia, de forma foneticamente aportuguesada, como “Iarrué”, sendo o som de “rr” bem suave, como seria o som do “h” no inglês.
     Como a transposição fonética do hebraico para outros idiomas, que chamamos de “transliteração”, não tem regra fixa, pode-se encontrar o tetragrama transliterado como “Yahweh”, Yahuweh”, entre outras formas. O som, todavia, é o mesmo.
      Essa é a única forma testemunhada historicamente de forma completa. Clemente, no século II, o translitera como “iaoue” para o grego, e Teodoreto , no século IV, testifica que os samaritanos pronunciavam o Tetragrama como “Iabe”, sendo o som de "b" uma variação regional do som do "Vav".
      Por esta razão, há praticamente um consenso no meio acadêmico de que esta seja a forma mais original, possivelmente com algumas diferenças derivadas de regionalismos, como ocorre por exemplo no português. O nome “Roberto”, por exemplo, será pronunciado de forma diferente por um gaúcho, por um carioca, um paulista, e um cearense. Mas aí, caro leitor, entramos em pormenores que penso serem completamente sem importância. 
VI - O Uso Cotidiano
      Você deve estar se perguntando agora: Devo usar esse nome no meu dia-a-dia?
      Alguns grupos, por excesso de zelo, evitam falar o Nome do Eterno, mas será que é isso que Ele quer de nós? Faz sentido, meu caro leitor, que o Eterno revelasse em Suas Escrituras um Nome que Ele não quisesse que usássemos? Pelo contrário, as Escrituras falam que Seu Nome será proclamado na terra.
      O erro desse zelo está na leitura do mandantamento, que diz:
“Não tomarás o Nome de YHWH teu Elohim em vão...” (Shemot/Êxodo 20:7)
      Em vão, no hebraico, “lashav”, significa algo que é falso, esvaziado da verdade. Ou seja, não se deve dizer falsidades no Nome do Eterno.
      Como você certamente deve estar pensando neste momento, é claro que se deve ter respeito pelo Nome do Eterno, como você teria por alguém a quem deve honra. Certamente que práticas como chamar uma borracharia ou padaria pelo Nome dEle é falta de respeito.
       Mas e quanto a usar o Seu Nome no nosso dia-a-dia? Equanto a orar, ou a conversarmos entre nós usando o Seu Nome? Isso é possível ?
        A resposta está na Bíblia:
 “E eis que Boaz veio de Beit-Lechem, e disse aos segadores: YHWH seja convosco. E disseram-lhe eles: YHWH te abençoe”. (Rut/Rute 2:4)
      Observe que Boaz, nessa passagem, chega ao seu campo onde estavam os seus empregados colhendo os frutos da terra, e os cumprimenta usando o Nome do Eterno, ao que os seus empregados lhe respondem da mesma forma.
        Nos tempos antigos, os israelitas não tinham qualquer restrição a usarem o Nome do Eterno no seu dia-a-dia, e assim também nós não devemos ter essa restrição. Não devemos deixar que um excesso de zelo nos afaste de proclamarmos a Quem nós servimos. Você pode, querido leitor, e deve usar o Nome do Eterno em seu dia-adia. Com respeito, é claro, mas sem temor! Porque Ele revelou esse nome a nós. É assim que Ele deseja ser chamado. Esse é o nome do seu Senhor!
(continua ...)
para ver estudo completo visite: www.torahviva.org

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

CICLO TRIENAL - SEDRAH 42 (Semana de 25 a 31 de dezembro)

Torah: Bereshit/Gênesis 48:1 a 49:26
Tema(s): Ya'akov/Jacó abençoa os dois filhos de Yossef
Haftarah: Yehoshua/Josué 23, 24
Tema(s): O fim da vida de Yehoshua; A Aliança em Shechem
Shirim u’Chochmah: Tehilim/Salmos 42; Cohelet/Eclesiastes 11
Tema(s): A Tristeza do Exílio; O Passar do Tempo

PERGUNTAS
1 Bereshit/Gênesis 48:19 e 21 / 49:22 a 26. O que representou a benção de Ya'akov sobre Efraim e Menasheh

2 Comparando Yehoshua/Josué 23:6-13 / 24:25, você diria que essa "Israel" existe, hoje? 

Leia Tehilim/Salmos 42, e responda: Qual a essência contida nesse Mashkil dos filhos de Korach? 

4 Em poucas palavras, que lições você pôde extrair da Sedrá desta semana? 

 “Mavet v'chayim beyad halashon”
(morte e vida estão no poder da lingua)

domingo, 25 de dezembro de 2011

SUMÁRIO DOS LIVROS DA BÍBLIA (TORAH/TANACH E BRIT CHADASHAH)

Para auxiliar os estudos do Ciclo Trienal dispomos, abaixo, um Sumário com todos os livros da Bíblia e seu correspondente em hebraico, transliterado.
Espero que apreciem! 
A Bíblia é um livro (se assim podemos chamar) ÚNICO. Diferente de todos os demais escritos que se propuseram a falar do Sagrado (Bendito Seja). Foi escrita num período de 1500 anos, por mais de 40 autores sem, contudo, perder sua coerência e harmonia, de Bereshit/Gênesis a Malachi/Malaquias.
A Biblia hebraica está disposta em duas partes: Torah/Tanach, num total de 46 livros.
Torah (תּוֹרָה) é o nome dado aos 5 Primeiros Livros da Bíblia, também conhecidos como Pentateuco ou Lei de Moisés.  O termo Tanach, em hebraico (תנ"ך) é uma referência genérica para designar todos os outros livros da Bíblia que compoem com a Torah o chamado "Antigo Testamento", formando 4 conjuntos de livros, num total 46 Livros. 
A Torah/Bíblia existe desde a criação do mundo e foi dada a todo  Am'Yisrael/Povo de Israel como manual de vida e prática. Está ao nosso alcance graças aos guardiões da Lei; os Yehudim/Judeus, que a mantiveram preservada desde os tempos de Mosheh/Moisés, até a presente época.
Abaixo, relação dos Livros da Bíblia (Torah e Tanach), destinada a todo YisraelTodos esses Livros podem ser encontrados na Bíblia Hebraica (tradução do hebraico e aramaico).

TORAH (Chumash, Pentateuco ou Obra de Mosheh/Moisés) - 5 livros
  • Bereshit/Gênesis (בראשית)
  • Shemot/Êxodo (שמות)
  • Vaykrah/Levítico (ויקרא)
  • Bamidbar/Números (במדבר)
  • Devarim/Deuteronômio (דברים)
TANACH (Históricos, Poéticos e Proféticos) - 41 livros
HISTÓRICOS (16)
  • Yehoshua/Josué
  • Shoftim/Juizes
  • Rut/Rute
  • Sh’muel Alef v Beit/Samuel I e II
  • Divrey ha’Yiamim Alef v’Beit/Crônicas I e II
  • Melachim Alef vBeit/Reis I e II
  • Ezrah/Esdras
  • Nehemiah/Neemias
  • Toviah/Tobias
  • Yehudit/Judite
  • Ester/Ester
  • Makabim Alef v’Beit/Macabeus I e II
POÉTICOS (7)
  •  Iyov/
  • Tehilim/Salmos
  •  Mishlei/Provérbios
  • Cohelet/Eclesiastes
  • Shir haSh’rim/Cântico de Salomão
  • Chochmat Sh'lomo/Sabedoria de Salomão
  • Ben Sirach/Eclesiástico
PROFÉTICOS (18)
  • Yeshayahu/Isaias
  • Yermiyahu/ Jeremias
  • Eichah/Lamentações
  • Baruch/Baruque
  • Yechesk’el/Ezequiel
  • Dani’el/Daniel
  • Hosheah/Oséias
  • Yo’el/Joel
  • Amós/Amós
  • Ovadiyah/Abdias
  • Yonah/Jonas
  • Michah/Miquéias
  • Nahum/Naum
  •  Havakuk/Habacuque
  • Tzefanyah/Sofonias
  • Hagai/Ageu
  • Zecharyah/Zacarias e
  • Malachi/Malaquias
Sh'ma Yisrael, Adonai Elocheinu, Adonai Echad!
Devarim/Deuteronônio 6:4
(Ouve, Israel, YHWH é nosso Elohim, YHWH é Um!)

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

CICLO TRIENAL - SEDRAH 41 (Semana de 18 a 24 de dezembro 2011)


Torah: Bereshit/Gênesis 46:28 a 47:31
Tema(s): Yossef/José e Ya'akov/Jacó;  O Governo de Yossef 
Haftarah: Sh'muel Beit/2 Samuel 21; Yeshaiyahu 32; Amós 8
Tema(s): A Fome e a Casa de Sha'ul; Revelações Diversas; Visão do Cesto de Frutos
Shirim u’Chochmah: Tehilim/Salmos 41; Cohelet/Eclesiastes 10
Tema(s): A Oração do Enfermo; A sabedoria e a Insensatez


PERGUNTAS
1 Bereshit/Gênesis 46:33,34: "Quando o faraó mandar chamar-vos e vos perguntar qual é vossa profissão, responder-lhe-eis: Teus servos foram sempre criadores de animais, desde sua juventude até o presente e nossos pais também ...". Compare este texto com Bereshit/Gênesis 20:2-10;  26:7-8 e 27:18-20 e responda: Onde esses textos se relacionam? Em que divergem? As justificativas, foram válidas? O que as motivou?

2 "Isto me foi mostrado pelo Eterno Elohim: Um cesto com frutos de verão" (Amós 8: 1-14). Leia todo o texto e responda: O que representa o "cesto de pães" mostrado ao Profeta? É algo que se cumpriu ou está por se cumprir? 

“Até o amigo em quem confiei, e que compartilhava do meu pão, também me traiu”. O verso 10 do Tehilim/Salmo 41 trata de uma queixa de David a respeito da traição de Aquitofel, que era amigo do Rei e compartilhava do seu pão como  narrado em II Samuel 15:12-31.  O que mais poderia estar inserido nessa mensagem e o que ela representa? 

4  Que lições você pôde extrair desta Sedrá e como torná-las práticas em sua vida?
 “Mavet v'chayim beyad halashon”
(morte e vida estão no poder da lingua)

sábado, 17 de dezembro de 2011

NOMES HEBRAICOS E SEUS SIGNIFICADOS

Até que ponto um nome pode influenciar uma vida?
(imagem para fins ilustrativos extraída da internet)
Todo nome traz em si um simbolismo, uma história, um passado. nome é o que primeiro identifica uma pessoa!
Hoje em dia, muitos não têm idéia do significado de seus nomes. Alguns pais escolhem um nome para seus filhos porque gostam da maneira como soa (é bonitinho), ou porque conheceram alguém importante e desejam dar aquele nome à criança ou, ainda,  juntando o nome do pai e o da mãe formando um nome único para o filho, como: Genivaldo = Geni+Osvaldo,  Ivandira = Ivan+Jandira e assim por diante. Quem não conhece pelo menos uma dessas derivações, sobretudo entre os brasileiros?
Normalmente, as culturas que têm uma ligação mais forte com a identificação tribal é que tendem a dar mais importância ao significado dos nomes de seus filhos. Entre os orientais e afro-asiáticos, por exemplo, há a crença de que o nome dado a uma pessoa vai ajudar a moldar o seu caráter. Na cultura israelita o nome de um menino é dado em conjunto com sua Brit Milá (circuncisão ao 8º dia) e o da menina  dentro do primeiro mês de vida. Os judeus sefaraditas da Espanha, África do Norte e América do Sul têm o costume de homenagear pessoas que admiram, colocando o nome no bebê. Já os Ashkenazitas (leste europeu) tendem a dar a seus filhos o nome de alguém que já partiu. 
Muitos nomes de origem hebraica são encontrados em diversas culturas por causa da herança comum que o cristianismo, islamismo e outras religiões compartilham, através do uso das Escrituras Sagradas. 
O nome de Daniel/Dani'el (דניאל) por exemplo; é bonito e forte. "Dan", em hebraico, significa "juiz", "Dani" significa "meu juiz" e "El" é um dos nomes Sagrados do Eterno. Portanto, quando as palavras são unidas, o nome de "Daniel" ganha o significado de "El é meu juiz". Outro nome muito comum extraído da Bíblia (1a. Crônica 26:7) é Rafael/Rafa'el (רָפָאֵל).  A palavra "Rafah" significa "cura", que unida a "El" fica "Rapha'el" e significa "El cura".
O nome Miguel/Micha'el (מִיכָאֵל) é o nome de um "malach"/anjo nas Escrituras e tem sido utilizado em diversas culturas. "Mi" em hebraico significa "quem", "cha" significa "como" e, como dito anteriormente, "El", um dos nomes Sagrados. Juntando-se as palavras temos "Micha'el", ou seja, "Quem é como El". 
Outro nome associado a um anjo/malach é Gabriel/Gabri'el (גַּבְרִיאֵל).  Esse nome aparece pela primeira vez no sefer/livro de Dani'el e também na Brit Chadashá, no livro de Lucas. Seu significado é "Enviado por El".
A partir dos exemplos acima é possível reconhecer um padrão, ou seja, no hebraico muitos nomes fazem referência a YHWH (יה-וה), especialmente os nomes bíblicos masculinos. A fixação "El" ou "Yah" (que também é um dos nomes sagrados) é muito utilizada. 
Vejamos, por exemplo, "Yechezk'el" (יְחֶזְקֵאל), nome do profeta cujo livro/sefer leva seu nome. Aqui a palavra "Yechezki" significa "Ele vai ser forte". Anexando-se "El", temos "Yechezk'el", que significa "El será forte", ou seja, "El" será forte na vida de alguém que recebe esse nome (certamente, esse foi o desejo de quem lhe deu esse nome). "Yechezk'el" anglicanizado torna-se Ezequiel. 
Outra maneira de se dizer a mesma coisa é "Chezkiyahu/Ezequias" (חִזְקִיָּהוּ). Aqui a raiz para forte "Chezki" inicia o nome e é seguido pelo "Yah" e o "hu", que significa "O Eterno, Ele", o nome inteiro significa "O Eterno, Ele é a minha força" ou "a minha força é o Eterno". Um outro nome que seria sinônimo destes é Uzi'el/Uzias, que significa "El é minha força". 
Mas, nem todos os nomes bíblicos estão ligados diretamente ao nome de YHWHnem todos exaltam aspectos positivos. "Yiov"/Jó (אִיּוֹב), por exemplo, significa "oprimido".  No livro de Ruth/Rute (1:1 a 6) os nomes dados aos dois filhos de Naomi/Noemi (נעמי) significam "doente" e "fraco" (Machlon e Kilyon) e vemos que, no curso da história os mesmos não sobreviveram. Poderíamos inferir, talvez, que os nomes verdadeiros tenham sido substituídos por esses adjetivos para designar o estado em que ambos se encontravam - "doente e fraco" (?!?) ou, até, especularmos se esses nomes não poderiam ter potencializado suas debilidades. 
Na história do primeiro rei de Israel o povo pede ao Eterno um rei terreno e Este, atendendo, enviou-lhes "Sha'ul"/Saul (Sh'muel Alef/1 Samuel 8:1-21). O nome "Sha'ul/Saul/Paulo" significa "pedido ou emprestado". Aqui está um jogo de palavras: "a seu pedido". Esse nome pode, também, ter outra conotação. "Sha'ul" pode significar "dado por El" mas, não exatamente como um presente (mas, por ter sido pedido); o nome cujo significado está mais relacionado a "presente/dádiva" é "Yehonatan"/Jonata (יוֹנָתָן), "presente de El". Nas Escrituras, Yehonatan é o filho do rei Saul/Sha'ul e grande amigo do David. 
Há outras formas de se dar um nome, como por exemplo, a partir de uma característica, do nome de uma cor, uma planta, animal ou outras criaturas. "David"/Davi (דוד), literalmente, significa  "amado, querido"; "Dov" (דּוֹב) significa "urso"; "Ari" (אֲרִי) significa "leão" ou "Ari'el",  "Leão de El"; "Devorah"/Débora/Debra (דְּבוֹרָה) significa "abelha"; "Shoshana"/Susana (שׁוֹשַׁנָּה), que significa "lírio". 
Existem também nomes que podem conter duplo significado. Um exemplo é o nome "Maryam/Maria" que pode significar tanto "amarga" como "louvada/elevada", obviamente, a intenção é sempre buscar o significado positivo. Há também o conceito do nome soar como alguma outra coisa.
A exemplo disto temos novamente o nome do rei "Sha'ul", que significa "pedido ou emprestado" e que, se mal pronunciado, pode soar como "sheol"/seol, cuja grafia no hebraico (sem as nekudot) é exatamente a mesma, pois não há vogais. "Sheol"/Seol, em hebraico, significa "poço/buraco" ou "inferno", o que não é uma boa associação. A grafia do nome "Sha'ul" também pode ser assemelhada a "Shu'al", que é a palavra para "raposa". Fazendo um trocadilho, Sha'ul precisa ser como uma "raposa" fora do "poço do inferno". Outra conjectura; terá esse dualismo influenciado nas lutas espirituais experimentadas por  Sha'ul haShaliach (Paulo o Emissário/apóstolo)?!
Certamente, a beleza ou profundidade de um nome não está limitada apenas a  uma concepção hebraica; algumas culturas, como mencionado, têm essa preocupação - a dar a seus filhos nomes que sejam expressivos e pelos quais possam ser representados
O que não podemos nos esquecer é que um nome hebraico, em sua essência, vem sempre carregado de simbologia e que cada uma das 22 letras do alef beit/alfabeto tem um significado especial e uma peculiaridade expressa em cada nome na Bíblia; é só buscarmos nas Escrituras os inúmeros exemplos (Bereshit/Gênesis 17:15; 35:18; Yeshaiyahu/Isaias 7:14, Sh'muel Alef/1 Samuel 1:20, etc ).
  • Em que circunstância os nomes hebraicos podem ser dados:
Normalmente, um nome passa a ser adotado nas seguintes circunstâncias: 
  1. Ao nascer, por escolha dos pais.
  2. Por ocasião de uma enfermidade grave (na cultura judaica); ou circunstâncias extremas, ex.: Benoni para Benyamim (Bereshit/ênesis 35:18). 
  3. Na teshuvah (retorno à fé Bíblica), substituindo os nomes pagãos ou aqueles cujos significados depreciam ou limitam nosso potencial. Geralmente, se um nome foi transliterado da Bíblia,  busca-se o original em hebraico. Ex.:  João passa a ser "Yochanan"; Tiago "Ya'akov"; Mateus "Matitiyahu'; Jonas "Yonah"; Isaias "Yeshaiyahu"; Samuel "Sh'muel"; Judite "Yehudit" (יהודית); Abigail "Av'gayil" (אֲבִיגַיִל); Ana "Chanah/Hannah" (חנה); Isabel "Elisheva" (אֱלִישֶׁבַע);  Eva "Chavah/Havah" (חוהe etc. 
Podemos dizer que o maior problema pelo enfrentado pelos dispersos da Casa de Israel não foi somente a assimilação, mas a ignorância. Embora muita coisa ainda persista, aqueles que têm procurado retornar à fé Bíblica (cumprimento das Mitzvot) tem buscado também restaurar alguns princípios, entre os quais, resgatar seu nome hebraico ou, através dos significados dos nomes hebraicos,  fortalecer traços de sua personalidade ou caráter.
Minha avó, por exemplo, se preocupou em me dar não só um nome Bíblico, mas dois. Todavia, a dualidade de um e o significado outro lamentavelmente tornou-o "pagão" ("Hoshia'anah Miriyam"/salva-nos Maria). 
Vi na Teshuvah uma oportunidade para adotar um novo nome de "Ya'el"/Jael (יהל) (Shoftim/Juízes 5:24). "Yahel"/Ya'el/Jael, que significa "HaShem é El". Ya'el foi uma cananita (mulher de Heber) que no período dos juízes de Israel (num momento de traições e revoltas), juntamente com Devorah (Débora) desbaratou o exército inimigo (Shoftim/Juízes 5:23 a 27).  É um nome tanto feminino quanto masculino e, dependendo da grafia - pode ganhar outro significado: "cabra da montanha". Apesar dessa dualidade, nesse tempo de teshuvah, busquei, através desse nome a força e a graça dada por YHWH àquela heroína bíblica diante das batalhas. 
  • Equívocos ao se buscar um nome Bíblico
Só porque um nome é encontrado na Bíblia não significa automaticamente que é de origem hebraica. Alguns, apesar de transliterados para o hebraico, podem ter origem pagã ou estrangeira (egípcia, babilônica, persa, grega e etc). Alguns exemplos disso são Sadraque, Mesaque e Abednego (nomes babilônicos dados a hebreus Ananias, Misael e Asarias no cativeiro ); Lucas, Filipe, Estevão, Eunice, Lídia (nomes gregos) de pessoas que se achegaram à fé em Yeshua e são mencionados na Bíblia; Assenat (Egípcio); Yitro (cananita) Yitro, também conhecido como Reu'el (רְעוּאֵל) do hebraico "amigo de El", e outros.  
Além disso, os nomes traduzidos nas Bíblias modernas não somente foram transliterados, como anglicanizad
os para se adaptarem ao idioma de cada país (Ex. Kefah/Pedro/Peter/Pierre; Miriyam/Maria/Mary/Marrie; Yochanan/João/John/Jean) e não basta transliterá-los para o hebraico, precisamos descobrir sua grafia original para que a essência não se perca.
  • Outro grande equívoco:- os nomes em iídiche 
O iídche é um dialeto indueuropeu, pertencente ao subgrupo germânico, adotado por judeus, particularmente da Europa Central e Oriental no segundo milênio, que o escrevem em caracteres hebraicos.  Íidiche não é hebraico!  O fato de transliterarmos um nome ou palavra para o hebraico, não torna esse nome ou palavra hebraica, apenas, a deixa "transliterada". Vejamos como exemplo uma palavra moderna, introduzida no idioma hebraico: Telefone = טלפון = (tet, lamed, fei, nun sofit).
  • Escolhendo o nome hebraico
Como vimos,  não basta apenas escolher um nome bonito, entendemos que conhecer o seu significado é fundamental, pois, o nome pelo qual uma pessoa é chamada é "um título" e pressupõe representar a sua "essência"; refletir seus traços particulares de caráter e os dons concedidos pelo Eterno.
A escolha do nome é, portanto, algo muito especial e deve ser bem pensada para que, no futuro, não traga constrangimentos na vida social. 
O site abaixo traz a origem e o significado de alguns nomes hebraicos e bíblicos e talvez possa servir de base de pesquisa para quem tem buscado um nome que o represente em sua teshuvah.


(nota): (A adoção de um nome israelita é um privilégio, muito mais do que uma necessidade. Em nosso meio, nunca forçamos ninguém a tal prática, e na realidade a maioria das pessoas é desejosa de fazer essa mudança. Alguns, inclusive, têm seu nome israelita como sua verdadeira identidade, muito mais do que o nome secular. 
Shavuah Tóv!